Não há como negar, o clima ameno do outono e do inverno é de pura inspiração. Há quem goste de namorar, de cozinhar, de ler. Mas há as mais dedicadas que aproveitam o período para ''esquentar'' a criatividade na confecção de peças para aquecer pessoas queridas ou mesmo para incrementar a renda. São as artesãs do tricô e do crochê - de todas as especialidades - que enchem as lojas de fios e lãs em busca das novidades.
Atento a esta demanda, o mercado não perde a oportunidade e tem suas apostas que já estão fazendo sucesso entre a mulherada. A variedade de lãs ofertadas não se limita à diversidade de cores. São fios diferenciados, muitas vezes importados, com vários formatos, tons mesclados, acréscimo de novos materiais e mistura de outros tipos de pontos e trabalhos manuais, que têm despertado atenção nas lojas do setor.
Lãs do tipo ''pompom'' (que têm em seus fios bolinhas felpudas), por exemplo, estão entre as mais vendidas na Tricolândia, principalmente para fazer cachecóis e capas. ''Já fizemos algumas reposições no estoque e mesmo assim estão faltando cores desse tipo de fio'', comenta Madalena Saruhashi, proprietária e responsável pelas compras de lãs. O preço de um novelo da lã pompom varia entre R$ 10 e R$ 15, e com ele é possível confeccionar um cachecol.
Lãs felpudas (com ou sem brilho), aveludadas, com bolinhas flocadas (com e sem brilho), ''escadinha'' (mesclada com rococó), ''rendinha'' (que, depois de trabalhada e aberta, parece renda), com lantejoulas grandes e pequenas - são apenas alguns dos tipos à disposição das mentes criativas das artesãs. O preço dos novelos varia conforma o lanifício, marca, quantidade de lã e tipo, e varia de R$ 1,50 (novelo de 40g) a R$ 25 (novelo de lã com lantejoulas, de 100g). Mesmo com o preço um pouco elevado das lãs especiais, algumas já não têm peças de reposição.
Quanto às cores a procura não necessariamente segue a cartela de tons da moda inverno. Tudo depende da preferência e do gosto individual. Segundo Madalena, em geral, as pessoas mais tradicionais costumam levar novelos brancos, pretos e marrons. Pessoas mais jovens são as que mais procuram as últimas novidades.
Muitas vezes, a procura por determinado tipo de fio começa com as peças prontas e expostas nos armarinhos, como cachecóis, boleros, capas e colares, que custam em torno de R$ 30 a R$ 50, dependendo do artefato. A partir delas, as pessoas se inspiram e se propõem a aprender a técnica e fazer os modelos, ali mesmo na loja. ''Qualquer um pode aprender, na hora, a fazer uma peça'', diz Madalena. Para um cachecol, basta um novelo. Um bolero se faz com dois ou três.
São nas visitas a esses estabelecimentos que acontecem as trocas de informações, descobertas de cores, modelos, misturas e texturas. Mesmo os grandes produtores e distribuidores têm sites com poucas informações. Tais espaços virtuais são bastante utilizados para troca de receitas de peças e exposição de trabalhos de clientes.
Para a gerente da loja Elisângela Alves Ricarte a tendência das lãs diferenciadas começou no fim do inverno passado, mas sem tanto destaque. ''Agora, antes do inverno chegar todo mundo está se preparando.''
O chamado trapilho também tem sido bastante procurado. É um tipo de fio sintético com elasticidade que pode ser utilizado para fazer tanto colares com aplicações de pedrarias e lãs, como tapetes, capas, bolsas, blusas, coletes, cortinas, por exemplo. De acordo com a gerente Elisângela, é uma tendência que veio de Goiânia, passando por Brasília e São Paulo, e está inclusive nos shoppings centers do Rio de Janeiro.

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