Brasília - O ministro do Planejamento, Guido Mantega, acredita que o clima positivo que tomou conta dos mercados financeiros não terá efeito passageiro. ''As notícias boas devem continuar fluindo'', disse. Segundo ele, a queda do dólar deve ter efeito positivo sobre os índices de inflação, mas não vai prejudicar o setor exportador, ao contrário do que temem alguns analistas.
Para Mantega, a forte queda nas cotações do dólar verificada ontem foi uma reação natural do mercado diante do acordo a que chegaram o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e os governadores, na quarta-feira, para o encaminhamento no próximo dia 30 das propostas de reforma tributária e da Previdência ao Congresso Nacional.
Mantega disse que a redução contínua no valor da moeda americana, como se verificou ao longo dessa semana, não é um fator de preocupação para o governo. Ele observou que o sistema de câmbio flutuante permite movimentos dessa natureza e apostou numa estabilidade da taxa de câmbio em prazo que preferiu não definir. ''O câmbio encontrará o seu ponto de equilíbrio.''
Segundo o ministro do Planejamento, a queda do dólar é um sinal positivo, já que reflete um aumento de confiança no País. Um aspecto positivo, ressaltado pelo ministro, é o efeito que a queda do dólar poderá ter sobre os índices de inflação.''A queda permitirá uma redução da inflação'', disse Mantega. Com o dólar mais barato, os custo das empresas que usam insumos importados se reduz. Também diminui a pressão sobre as companhias que possuem dívidas em dólares, por exemplo. Outro efeito da queda do dólar é reduzir a variação de índices como o IGP, com base no qual são definidos reajustes de tarifas de energia elétrica e telefones.
Apesar de alguns analistas considerarem que uma queda do dólar na magnitude que vem ocorrendo pode representar um perigo para o setor exportador, a percepção do ministro do Planejamento é diferente. Mesmo considerando uma cotação de R$ 3,00 por dólar, Mantega acredita que esse patamar não prejudicará os exportadores brasileiros. Mesmo que a taxa de câmbio mantenha-se num nível mais reduzido, ainda assim, o valor será atrativo para os exportadores, na avaliação do ministro.

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