Clima político derruba Bolsa de Tóquio
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segunda-feira, 27 de julho de 1998
Agência Folha 
A Bolsa de Tóquio caiu ontem 2,6% na primeira oportunidade que os investidores tiveram para reagir ao resultado da convenção partidária de sexta-feira que colocou o ministro das Relações Exteriores, Keizo Obuchi, virtualmente no posto de primeiro-ministro do Japão.
O iene desvalorizou-se 0,9%, subindo de 141,05 por dólar, na sexta-feira em Nova York, para 142,30 no final da tarde de ontem em Tóquio. A Bolsa de Hong-Kong caiu 3,3%. As Bolsas na Tailândia e na Malásia também caíram.
Investidores ficaram especialmente alarmados pelas nomeações feitas no final de semana por Obuchi para cargos-chave dentro do seu partido e para ocupar o ministério de Finanças sob seu provável governo. Embora tenha dito que irá compor um gabinete aberto e competente, o virtual primeiro-ministro da segunda maior economia do mundo deu sinais de que deverá preencher os postos à maneira tradicional da política japonesa: distribuindo-os entre as facções que comandam o PLD (Partido Liberal-Democrata). No entanto, os mercados e a população japonesa querem mudanças.
Obuchi foi eleito presidente do PLD na última sexta-feira, em substituição a Ryutaro Hashimoto, que renunciou no último dia 13. Como chefe do PLD, Obuchi deve ser eleito primeiro-ministro do país nesta quinta-feira por votação da Dieta, o parlamento japonês, onde o PLD tem maioria. Durante o final de semana, Obuchi preencheu os três principais postos do PLD com representantes de cada uma das três maiores facções que controlam a legenda.
Para ministro de Finanças, Obuchi teria convidado ontem o ex-secretário-geral do partido sob a gestão Hashimoto, Koichi Kato, que teria rejeitado. O simples convite incomodou o mercado porque Kato é conhecido como o homem que, dos bastidores, controlou o fracassado governo Hashimoto.
Diante da recusa de Kato, o nome que começou a correr no mercado foi o do ex-primeiro-ministro Kiichi Miyazawa (1991-1993). O nome também não agradou o mercado porque Miyazawa, embora seja especializado em assuntos econômicos, colocou o país na rota da crise durante seu governo. Obuchi reconhece a importância do cargo de ministro de Finanças. Será mais importante que o meu, disse ele no final de semana.
O nome preferido do mercado é o do ex-secretário de gabinete Seiroku Kajiyama, um dos candidatos derrotados por Obuchi na convenção de sexta-feira. Kajiyama não foi convidado e disse que rejeitaria o cargo caso o fosse.


