Clima na Campal é de incerteza
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segunda-feira, 11 de junho de 2001
Ana Paula Nascimento De Londrina 
A Cooperativa Agropecuária do Vale do Paranapanema, a Campal, com sede em Cornélio Procópio, pode ser assumida por outras empresas ou cooperativas. A afirmação é do advogado da Campal, Juarez Ferreira, em entrevista à Folha por telefone ontem à tarde.
Segundo Ferreira, já houve várias reuniões durante a semana passada com integrantes da diretoria composta por Jorge Takasume, Francisco Bezerra de Mello e Hélio Zanardi e pessoas interessadas em assumir a cooperativa, que atualmente enfrenta dívidas que chegam a R$ 7 milhões, incluindo produtores, bancos e salários atrasados de funcionários. Ferreira salientou que nenhuma decisão foi tomada e que, seja ela qual for, precisa passar por assembléia geral entre todos os cooperados que, segundo ele, chegam a 325 produtores.
Na semana passada, uma liminar, concedida pelo juiz Everton Luiz Penter Correa, garantiu a devolução da soja a pelo menos dois produtores que haviam depositado o produto nas unidades da Campal, com direito de apreender e recolher os grãos nos silos.
O problema ficou mais evidente quando os produtores foram informados que a soja armazenada teria sido vendida para saldar dívidas e que das unidades da Campal, apenas a de Sertaneja (63 km ao norte de Cornélio Procópio) ainda tinha o produto nos silos.
Quando questionado sobre a não possibilidade de venda do produto, o advogado da Campal concordou que isso não deveria ter acontecido com os contratos apenas de depósito, mas que alguns produtores entregaram o produto como ato cooperativo, autorizando a venda em comum, e que muitos deles receberam o correspondente da venda em dinheiro. Outra parte teria sido direcionada para o pagamento de salários de funcionários.
Há quatro anos em atividade na região, a Campal arrendou as instalações da Cooperativa dos Produtores de Café de Cornélio Procópio (Coprocafé), que desde então está inoperante por ter adquirido dívidas com agricultores e bancos, que na época chegaram a R$ 30 milhões.
Para um dos advogados dos agricultores, Amin Hannouche, a situação é complicada e mais uma vez o agricultor corre o risco de sair lesado. Hannouche também afirmou que deve haver uma reunião nos próximos dias com os advogados dos agricultores e que ele não descarta a possibilidade da empresa entrar em liquidação.


