Clima mais ameno pode incrementar safra de laranja no Paraná
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terça-feira, 27 de janeiro de 2015
Victor Lopes<br>Reportagem Local 
Principal atividade de fruticultura no Paraná, a florada nos pomares de laranja já iniciou no Estado, principalmente no que diz respeito às variedades precoces. Apesar da colheita da safra 2015/16 começar apenas em julho, é momento dos produtores estarem atentos. O motivo é que a estiagem de janeiro e fevereiro do ano passado foi a principal responsável por uma possível quebra de safra no período 2014/15. A previsão é que tenham sido colhidas 894,7 mil toneladas da fruta na última temporada.
Os números do Departamento de Economia Rural (Deral) ainda não estão fechados, mas a estimativa é de uma retração de aproximadamente 10% no ciclo que fechou em dezembro. Para o novo período, os climas um pouco mais amenos até o momento tranquilizam o produtor, que busca uma retomada de produtividade.
Os últimos levantamentos divulgados pelo Deral referem-se à safra 2013/14, com produção que girou em média em 994,2 mil toneladas de laranja. De forma geral, a produção vem crescendo desde 2008. "A última quebra percentual está ligada à seca do início do ano passado. Em relação ao Greening (doença que ataca os pomares), acredito que os produtores paranaenses estão bem conscientes, e buscam as recomendações sanitárias adequadas", explica o técnico do Deral especializado em fruticultura, Paulo Andrade.
Para as floradas e colheita que estão por vir, Andrade comenta que analisou relatórios dos técnicos que estão em campo nas regiões Norte e Noroeste que correspondem a 80% do que é produzido no Estado e o que viu são climas mais arrefecidos que em 2014. "O que esperamos também é uma regularidade das chuvas para que todas as floradas (precoces, meia-estação e tardias) tenham êxito", complementa ele.
No que diz respeito a preços, o que se vê é uma estabilidade no Estado nos últimos anos. Em 2014, os valores oscilaram entre R$ 8,50 a R$ 10 entre os meses de janeiro e novembro para a caixa de 40,8 kg da fruta, dando apenas um grande pico em dezembro, quando chegou a R$ 16. "Este ponto fora da curva pode estar ligado a uma falta de produto no final da safra, e algumas laranjas que seriam destinadas ao mercado de frutas acabaram indo para a indústria", explica o técnico do Deral.
Mas será que esses preços médios aqui no Paraná pagos principalmente pelas cooperativas têm atendido aos produtores? Não há números oficiais do Deral, mas de acordo com informações de associações de produtores e consultorias de mercado do País, o custo de produção atual gira em torno de R$ 13 por caixa.
A cooperativa Integrada, por exemplo, possui uma planta industrial de processamento de suco de laranja localizada em Uraí. Os números ainda não estão fechados, mas na safra 2014/15 o processamento deve girar em torno de 1,3 milhão de caixas, alta de 73,3% comparado ao período anterior. A cooperativa pagou antecipado aos 120 cooperados R$ 8 por caixa, além de um complemento ainda não estipulado, que deve ser divulgado aos produtores no final de fevereiro. "Serão aproximadamente 4 mil toneladas de suco concentrado. Eu acredito que aqueles produtores tecnificados e com alta produtividade estão satisfeitos com os valores pagos, principalmente aqueles que ultrapassam a média produtiva de 2,5 caixas por pé", explica o gerente industrial da unidade, Paulo Rizzo.
Para o técnico do Deral, Paulo Andrade, no Paraná produtor e indústria trabalham em conjunto, já que boa parte é formada por cooperados, o que deixa os preços estabilizados e diminuem os confrontos, como acontece em São Paulo, maior produtor de laranja do País.



