Clima interfere na qualidade de hortifrutis
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quinta-feira, 17 de setembro de 2009
Eli Araujo<br> Reportagem Local 
Os problemas climáticos registrados nas últimas semanas, em especial com chuvas fortes e irregulares, estão castigando os produtores de hortifruti em quase todo Estado. Em algumas lavouras, as perdas variam entre 50 a 70%. Além da queda na produção, a qualidade do que é possível colher está baixa, o que reduz o preço das mercadorias nas centrais de abastecimento (Ceasa). Não bastasse isso, os produtores ainda observam que a procura está abaixo da média.
O produtor Edson Carlos Roque, de Ibaiti, no Norte Pioneiro, trouxe 847 caixas de morango - cada uma com quatro bandejas, para vender na Ceasa de Londrina no começo da semana, e vendeu menos da metade - 393 caixas. O preço também não foi dos melhores: ficou entre R$ 4,00 e R$ 5,00. Para não retornar com a sobra, ele deixou 178 caixas do produto em consignação com outros comerciantes que poderiam vender cada caixa por R$ 3,00, caso aparecessem os clientes. Roque considera a situação como ''dramática'' pois, se o tempo ajudasse, a caixa de morango seria vendida por R$ 7,00.
Com o excesso de chuva, Roque está perdendo cerca de 70% da produção antes da colheita e a qualidade do restante fica tão comprometida que boa parte se perde durante a viagem. O produtor fez o plantio das lavouras de morango um pouco mais tarde que o recomendado e espera recuperar o prejuízo até o final da colheita, que deve demorar dois meses.
E a chuva passou forte pela propriedade do produtor Osvaldo José dos Santos, de São Jerônimo da Serra. O temporal, há cerca de duas semanas, derrubou os estaleiros, prejudicando bastante os campos de tomate - sua única cultura. Ele vendia cerca de 300 caixas por dia na Ceasa de Londrina - cada caixa com cerca de 22 quilos. Nos últimos dias houve uma redução de 30%, em média, ele está vendendo entre 200 e 220 caixas do produto. E com a baixa qualidade, o preço da caixa caiu de R$ 50,00 para R$ 25,00 ou R$ 30,00.
O produtor Eliel dos Santos Silva lembra que os problemas climáticos estão prejudicando as culturas de legumes e verduras não apenas nas últimas semanas, mas desde o começo do ano. Ele produz cerca de 30 variedades no Patrimônio Selva, na zona rural de Londrina, e diz que as variações do tempo provocaram o aparecimento de pragas, que reduziram a qualidade de seus produtos. ''O clima está muito mudado. Quando eu era pequeno, as estações do ano eram certinhas, as chuvas vinham no período correto. Hoje, a chuva vem fora de época, quando é para chover não chove e o mês que era para fazer calor, faz frio. O clima fica descontrolado e a gente fica nesta situação'', reclama.
O gerente da Ceasa em Londrina, Ismael Batista da Fonseca, diz que o abastecimento continua normal, apesar dos problemas climáticos. Ele explica que, em caso de necessidade, a demanda é suprida com a importação de produtos de outros estados. O tomate de boa qualidade, por exemplo, está vindo de Goiás, São Paulo e Minas Gerais.


