Clima frio reduz preço do frete em até 35%
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terça-feira, 15 de julho de 2008
Andréa Bertoldi<br>Equipe da Folha 
Curitiba - O inverno rigoroso e as geadas que ocorreram no Paraná estão trazendo prejuízos para as transportadoras de cargas do Estado. A estimativa do Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas no Paraná (Setcepar) é que o valor do frete caiu de 30% a 35% desde abril até agora.
Levantamento realizado pelo Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento (Seab), aponta que o milho safrinha teve uma quebra de safra de 1,3 milhão de toneladas devido as baixas temperaturas registradas no Estado. A produção inicial estimada em 6,8 milhões de toneladas deve cair para 5,5 milhões, o que representa uma quebra de 19,24%. A colheita do milho foi iniciada neste mês e, segundo o Deral, era a única cultura que estava suscetível as geadas.
O diretor do Setcepar, Laudio Luiz Soder, disse que não há ainda uma estimativa do prejuízo que as transportadoras sofreram com a redução do preço do frete. Ele explicou que o valor cobrado pelo transporte de cargas do agronegócio é ditado pela oferta e procura. Quando tem safra de grãos, o preço do frete sobe bastante, a gente vê aquelas filas no Porto de Paranaguá, lembrou.
Na entressafra, os fretes baixam substancialmente. Ele citou como exemplo o frete de Céu Azul (a 30 km de Cascavel) até Paranaguá que tinha um custo de R$ 70,00 por tonelada e, na semana passada, era de R$ 40,00 para o mesmo percurso.
Ele disse que a saída que as transportadoras têm encontrado é enviar os caminhões para outras regiões do País que estão em safra como São Paulo que está no período de colheita da cana-de-açúcar. Outros Estados que estão colhendo esta cultura são Goiás e Mato Grosso.
Acredito que a alternativa no mercado é a migração dos caminhões para as regiões Norte e Centro-Oeste, onde a safra provavelmente será cheia, disse. A outra possibilidade aos transportadores de granéis sólidos é adquirir semi-reboques para o transporte de granéis líquidos e aproveitar o aumento da produção de álcool, que fez crescer a demanda de transporte e está pagando fretes melhores.
Apesar de o frete do álcool remunerar bem, exige caminhões com equipamentos diferentes como tanques para armazenar o produto e treinamento por parte do motorista. O tanque tem um custo de R$ 150 mil para caminhões bitrem que têm capacidade para 45 a 47 mil litros.
Ele disse que para os caminhoneiros autônomos, a situação é ainda pior. A demanda de caminhões está aquecida e muitas unidades entraram no mercado nos últimos meses. Como a geada quebrou boa parte da produção agrícola, haverá redução na quantidade de produtos para transportar que, aliado ao aumento da oferta de caminhões disponíveis no mercado, prontos para prestar serviços de transporte, levará a uma conseqüência inevitável. A queda nos preços dos fretes e grandes dificuldades para os transportadores pagarem as prestações dos financiamentos, afirmou.
Outro entrave para o setor foi o aumento do diesel que subiu 15% desde o final de 2007. Hoje, o Paraná conta com 12 mil transportadoras além de 78.580 caminhoneiros autônomos. A Folha procurou o presidente do Sindicato dos Caminhoneiros Autônomos do Paraná (Sindicam-PR), Diumar Bueno, mas ele não retornou até o fechamento desta edição.


