A safra de algodão do Paraná deve atingir ou superar a produtividade prevista de 1,9 mil quilos por hectare - somando pelo menos 92,4 mil toneladas do produto em caroço. A estimativa é do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento. Os principais motivos são o clima favorável à cultura nas regiões onde está concentrado o plantio do algodão no Estado - Norte, Noroeste e Oeste - e a predominância de sementes Coodetec 4001, caracterizada pela maior potência de rendimento, atingindo 2.864 quilos por hectare, em lavoura, conforme o Deral.
Segundo o engenheiro agrônomo Maurício Tadeu Lunardon, do Deral, os produtores torcem para que o tempo permaneça seco a partir de agora para que a safra não seja prejudicada, repetindo a situação do ano passado. ‘‘A chuva durante a colheita, que acontece entre março e maio, é que compromete quantitativa e qualitativamente a safra’’, disse. Em 1998, houve quebra de 21% da safra de algodão por causa da chuva na época da colheita. A produtividade estimada de 1,9 mil quilos por hectare caiu para 1,5 mil quilos. Foram colhidas 171 mil t para uma área plantada de 114 mil ha.
Esta semana, o preço mínimo do algodão em caroço tipo seis estipulado pelo governo federal é de R$ 7,00 a arroba. Por causa da chuva na época da colheita, em 1998, a classificação média no Paraná ficou em 6,8, o que comprometeu a lucratividade dos produtores.
Dificuldades A área média de plantio de algodão no anos 80, de 350 mil hectares, atingiu a maior extensão registrado no Estado em 1992, quando chegou a 705 mil hectares, mas sofreu redução significativa, em todo o País, na década seguinte.
Os principais motivos foram a competitividade com o algodão importado - comercializado com menores juros e maiores prazos -, a baixa produtividade e o alto custo de produção. ‘‘Os problemas de mercado e de produtividade e a dificuldade de acesso a crédito dos pequenos produtores são os principais fatores de desestímulo do plantio’’, explicou Vera Zardo, engenheira agrônoma do Deral.
Atualmente, disse Vera, o cultivo do algodão está se deslocando para a região Centro-Oeste do Brasil - São Paulo e Paraná já responderam por 70% da produção nacional. Lá existem proprietários de maiores áreas e terrenos planos, o que permite a colheita mecanizada, uma forma de contornar a grande demanda de mão-de-obra.

mockup