ArquivoEntressafraAs ofertas de gado estão melhores que ano passado As boas condições das pastagens e do clima estão colaborando para manter a oferta normal de gado. A entressafra do boi gordo, que tradicionalmente começa em junho, está sendo empurrada para o final do mês, ou até quando o pecuarista conseguir manter seus animais no pasto. O clima está contribuindo para que a comercialização de boi gordo seja mais escalonada, evitando fortes oscilações de preço, avaliou Paulo Molinari, técnico da agência Safras e Mercados, de Curitiba.
Para a entressafra estão sendo confinados, este ano, 1,38 milhão de cabeças de gado, ligeiramente acima do ano passado (1,34 milhão). Esses animais serão ofertados no trimestre agosto a outubro, pico da entressafra. Molinari não acredita numa reação acentuada nos preços da carne bovina ao consumidor durante a entressafra porque a atividade econômica ainda se encontra fraca e o desemprego em alta. Com esses fatores combinados, os preços não ganham suporte para um período de alta, justificou.
A previsão da agência Safras é que o preço do boi gordo oscile entre R$ 29,00 e R$ 30,00/arroba, em São Paulo durante a entressafra. Atualmente a cotação da arroba do boi gordo está oscilando entre R$ 25,00 e R$ 26,00 em São Paulo. Para o técnico do Deral, da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento, Adelio Borges, a entressafra desse ano não terá muita oscilação. O aumento no período será no máximo de 12% e o mercado não sustenta altas acima desse limite.
Com esses preços, a carne no atacado poderá ser comercializada por R$ 2,10 o quilo do traseiro e R$ 1,60 o dianteiro. ‘‘Não é muito comparado com os preços atuais que estão a R$ 2,10 o quilo o traseiro e R$ 1,40 o dianteiro’’, afirmou Molinari. Ele acha difícil o mercado superar esse limite porque segundo ele, ‘‘ estamos na iminência de receber uma boa oferta de carne de aves e suína, o que deve pressionar para baixo os preços da carne bovina’’, explicou.
Por outro lado, as importações de carne esse ano serão mínimas, em função da alta no preço do produto na Argentina, que no ano passado forneceu grandes volumes ao mercado nacional. Para Adelio Borges, esse ano a Argentina vai exportar para outros países, porque foi considerado país não aftósico e não interessa mais vender carne bovina ao Brasil, sendo que pode conseguir preços melhores nos Estados Unidos, países da Europa e da Ásia.
‘‘Se houver um surto de demanda, poderemos ter problemas de abastecimento no segundo semestre’’, destacou Molinari. Mas por enquanto não há indícios de aumento da demanda, descartou o técnico. ‘‘Isso só aconteceria se melhorasse o fluxo das exportações, ocorresse uma redução nas taxas de juros e a reativação da atividade econômica, que afetaria diretamente os preços’’, acrescentou.
Molinari lembrou que a estabilidade trouxe mais tranquilidade ao mercado de boi gordo e não se verifica mais oscilações bruscas de cotações entre o período de safra e entressafra como ocorria antes. Segundo ele, antes o pecuarista fazia de tudo para vender sua produção no início da safra e depois ficava aplicando o dinheiro no mercado financeiro. Com a pressão de venda, os preços caiam muito rapidamente. Hoje, com a estabilidade da moeda, ele vende de forma escalonada no período de janeiro a junho, o que evita a pressão de venda. A mudança no perfil da comercialização favoreceu a alta das cotações no período de safra, que ficaram mais atraentes, próximos aos preços praticados na entressafra, reduzindo a diferença entre os dois períodos.

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