Inês Figueiró
Agência Estado
De São Paulo
Terceiro maior produtor de café da variedade arábica, o Paraná já iniciou os trabalhos de colheita no Noroeste, nas regiões de Umuarama e Paranavaí, que concentram 40% dos 16 mil produtores existentes no Estado. ‘‘A colheita já começou há cerca de 20 dias’’, informou o economista Paulo Franzine, do Departamento de Economia Rural (Deral), órgão ligado à secretaria de Agricultura do Estado.
O técnico explica que a colheita é seletiva, ou seja, são catados somente o café cereja amadurecido. Isso por conta da maturação desuniforme, resultante do problema da estiagem ocorrida no Noroeste do Estado e do vento frio nas regiões mais altas. Assim, o trabalho de colheita terá que se repetir por pelo menos duas vezes no mesmo pé.
Franzine informa ainda que está havendo uma melhora no manejo do processo. A colheita no pano, que no ano passado atingiu 45% do total dos grãos colhidos, deverá ser ainda maior este ano. ‘‘Os produtores estão mais cuidadosos no processo de colheita e secagem para garantir uma melhoria na qualidade do caf钒, disse.
Das 2,430 milhões de sacas colhidas em 1999, 76% foram de café T 6 bebida dura para melhor. Para este ano, a estimativa do Deral é que o Paraná colha 2,2 milhões de sacas de café beneficiado, abaixo do potencial entre 2,8 milhões e 3 milhões de sacas.
Na avaliação do técnico Franzine, as chuvas que aconteceram nos meses de janeiro e fevereiro serviram para recompor o déficit hídrico relativo à estiagem do final do ano passado nas regiões cafeeiras do Paraná.
O meteorologista do órgão, Agenor Santa Ritta, explica que o fenômeno La Niña – resfriamento das águas do oceano Pacífico, responsável por volume de precipitações entre normais e abaixo da média no extremo-sul – está de volta este ano.
No Paraná, completa, as chuvas têm sido normais, mas com má distribuição. Um exemplo disso foi registrado no último mês de março, quando choveu 163,8 milímetros na região de Apucarana e apenas 24,8 milímetros na região de Londrina.
Em igual período do ano passado, as precipitações somaram 144,5 milímetros e 102,7 milímetros nessas regiões, respectivamente. Embora a irregularidade seja perceptível, Santa Ritta esclarece que essas condições estão de acordo com o esperado e há algum tempo anunciado pelo departamento de meteorologia dos Estados Unidos.Longa estiagem e ventos frios provocaram maturação irregular, obrigando a colheita repetida pelo menos duas vezes no pé
Arquivo FolhaABAIXO DO POTENCIALParaná deverá colher este ano, segundo estimativas do Deral, 2,2 milhões de sacas de café beneficiado

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