Clima e tecnologia garantem safra recorde
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quinta-feira, 05 de agosto de 2010
Sabrina Valle<BR> Agência Estado 
A safra agrícola brasileira será recorde neste ano, com 146,6 milhões de toneladas, se for confirmada a projeção do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgada ontem. O resultado ficaria 0,3% acima do recorde anterior, em 2008, de 146 milhões de toneladas. De acordo com os dados apurados até julho, o aumento da produção deve ser acompanhado de uma melhora de produtividade, já que está prevista uma redução de 0,9% da área plantada no país em relação a 2009, para 46,8 milhões de hectares. Segundo o gerente de agricultura do IBGE, Mauro André Andreazzi, a produtividade foi influenciada por melhores condições climáticas e pela recuperação de investimentos em insumos.
Com a crise financeira internacional em 2008, os produtores haviam reduzido o uso de fertilizantes e optado por sementes de pior qualidade para a safra do ano seguinte. ''Certamente há um ganho de produtividade. Durante a crise, o produtor aplicou menos insumos e usou sementes de pior qualidade. Já o Paraná (maior produtor de grãos) sofreu problemas climáticos'', disse.
O aumento da produção de grãos se explica basicamente pela soja, que responde por 46,6% da produção total e cuja colheita deste ano está praticamente concluída, faltando apenas os 0,6% referentes a Rondônia. A produção deve ser recorde: 68,2 milhões de toneladas, um resultado 19,8% maior do que no ano passado, numa alta influenciada por condições climáticas favoráveis e por preços mais vantajosos do grão em relação a culturas de verão concorrentes, como milho.
Com preços menos vantajosos, a área plantada do milho recuou 6,5%, embora com uma alta de produção projetada de 4,4% em relação a 2009. Em relação ao milho segunda safra, o IBGE projeta uma colheita de 20,021 milhões de toneladas, aumento de 16,8% em relação ao ano passado e 1% ante o levantamento anterior.
No Paraná
A última estimativa da safra no Paraná somou um volume 0,8% maior que a anterior. Segundo dados do Departamento de Economia Rural (Deral), órgão ligado à Secretaria Estadual da Agricultura e do Abastecimento (Seab), a previsão atual é que o Estado colha 31,8 milhões de toneladas de grãos, contra 31,6 milhões da apuração divulgada em julho.
A soja, já totalmente colhida, somou 13,9 milhões de toneladas. Conforme Otmar Hubner, técnico do Deral, o volume da oleaginosa é 49% maior que o da safra anterior. Nesta temporada, o milho da primeira safra também registrou uma produção 2% maior que a anterior, somando 6,8 milhões de toneladas.
A expectativa no Estado se concentra agora nas colheitas do milho safrinha e do trigo. A previsão é bastante positiva, conforme Hubner, principalmente porque o clima tem colaborado. No milho safrinha, a previsão é de um volume de 6,315 milhões de toneladas, resultado 41% maior que o ano anterior, mesmo com a redução de área. O mesmo é para o trigo, cultura que sofreu uma redução de 13% na área plantada, mas com previsão de aumento em 15% no volume colhido. ''O trigo está evoluindo muito bem, mas ainda há riscos com o excesso de chuva e geada'', adianta o técnico do Deral, informando que em algumas regiões já começou a colheita do cereal. (Colaborou Erika Zanon - Reportagem Local)


