Oswaldo Petrin
De Londrina
Depois de um longo período de normalidade, sustentando os preços alavancados pelo ajuste do câmbio no início do ano passado, o mercado da soja pode entrar em turbulência por fatores externos à lei da oferta e procura. É o aumento das taxas de juros norte-americanos; são as chuvas que interrompe um período de seca, que ajudava a sustentar o mercado em alta, e a comercialização nos Estados Unidos, quando normalmente os preços são de uma forma ou de outra sustentados externamente.
O mercado internacional da soja está sujeito, esta semana, a pelo menos três variáveis, todas elas exercendo relativa influência com maior ou menor repercussão nos preços externos e internos do produto. Se os juros norte-americanos determinado pelo Federal Reserve (FED), forem reajustados a uma taxa acima de 0,25%, nada de anormal; acima disso os efeitos vão respingar sobre o mercado de commodities agrícolas.
Sobre os juros norte-americanos eles podem ser conhecidos ainda hoje pois serão anunciados oficialmente nesta quarta-feira.
Com aumento dos juros, os fundo de investimentos (especulações), vão migrar para o mercado de commodities, uma questão de opção, até que o mercado acionário se normalize. Na medida em que os grandes fundos entram na Bolsa de Chicago, os preços são puxados para cima. Caem em seguida, ou dois ou três dias depois, quando entram ofertando os papéis para fazer ‘‘realização de lucros’’. Mas tudo isso sacode o mercado do produto no mundo inteiro, mesmo fora de temporada de oferta, como agora, no Brasil. (A soja sobre!).
Esta é uma variável. A outra são as chuva na America Latina (Argentina na semana passada e no Paraná e MS, ontem). Notícias sobre chuvas derrubam um mercado sustentado por especulações sobre seca prejudiciais. Esta variável, então, neutraliza a anterior, a da especulação pelos fundos que entram comprando. (A soja desce!).
Mas os americanos começam a vender sua soja. Logo há o interesse em que os preços aumentem. (A soja sobe !).
Este é o cenário. Para Nelson Costa, assessor econômico da Ocepar, o efeito dos juros norte-americanos deve ser pequeno. Tudo indica que fica nos 0,25%. Isto mexe com o estoque da dívida brasileira; mas não mexe com o mercado da soja. Contudo, a taxa de juros norte-americana reflete na captação de recursos inclusive para a agricultura.
Otimismo ‘‘Estamos otimistas com a comercialização deste ano, mesmo sabedores de que vamos ter um volume (1,5 milhão de toneladas) menor que ano passado. O País vai colher entre 29 a 29,5 milhões de t, contra 30,5 milhões. Redução poderá dar uma compensação de preços para os agricultores’’, afirma Costa.
A comercialização ano passado foi ajudada pelo ajuste cambial no início do ano. Este ano pode ser que o clima ajude a sustentar os preços. Ano passado, lembra Costa, Chicago estava cotando a soja a US$ 4,/bushel. Este ano, as cotações variam entre US$ 5,00 e US$ 5,25. (Não considerando a queda de ontem, ver seção mercado).
Costa acha que as chuvas podem até diminuir as perdas estimadas em 8% pelo Deral.

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