No município de São Sebastião da Amoreira (47 km ao sul de Cornélio Procópio) o clima geral é de apreensão. Assim como feito com o anúncio da suspeita de febre aftosa em quatro municípios paranaenses (Amaporã, Grandes Rios, Loanda e Maringá), Amoreira ganhou os holofotes da mídia nacional do ''dia para a noite''. A maioria da população e até mesmo o gerente da Fazenda Cachoeira (onde o Ministério da Agricultura confirmou o foco), André Carioba Filho, dizem ter sido informados pela imprensa.
O prefeito Jorge Takasumi (PL) declarou pela manhã que teve conhecimento da notícia na terça-feira à noite, na TV. Ontem à tarde, ele se reuniria com o vice-governador Orlando Pessuti, secretário estadual de Agricultura, Pecuária e Abastecimento, para tomar conhecimento da situação e estudar as medidas cabíveis que poderiam ser tomadas. O município tem cerca de 10 mil habitantes e a sua economia é sustentada, basicamente, pela agricultura com os plantios de soja, cana-de-açúcar, trigo e milho. O rebanho local é considerado pequeno e está estimado entre 4 mil e 5 mil cabeças.
Takasumi acredita que a interdição da Fazenda Cachoeira e o seu respectivo raio de 10 quilômetros em linha reta irá atingir municípios como Santa Cecília do Pavão, Nova América da Colina, Santo Antônio do Paraíso e Assaí. No entanto, os prejuízos em Amoreira talvez não sejam tão graves porque a pequena bacia leiteira está localizada no extremo sul do município, na divisa com São Jerônimo da Serra, que está distante pelo menos 30 km da propriedade interditada e, portanto, não serão incluídas no raio perifocal.
Pelo sim, pelo não, alguns proprietários rurais preferiram adotar medidas preventivas próprias, com a orientação da Seab. A Fazenda Americana, por exemplo, instalou um ''rodolúvio'' na entrada da propriedade. Esse rodolúvio é uma mistura de cal com água que teria condições de barrar os vírus da aftosa que, eventualmente, estivesse presente nos veículos. Segundo informações da Prefeitura de Amoreira, essa fazenda tem um pouco de gado de corte e também trabalha com plantio de milho, soja e outras culturas.
No município vizinho de Santo Antônio do Paraíso (que tem cerca de 2,8 mil habitantes), o açougue já sentiu os reflexos negativos somente com a suspeita de aftosa no Paraná. O movimento caiu cerca de 30% nos últimos dois meses. O proprietário da Casa de Carnes Alaska, Jackson Parucci Félix, disse que compra boi na região, mas costuma abatê-los em Amoreira. ''O movimento está meio parado, mas ainda há muita gente consciente de que não há aftosa aqui e que a doença não faz mal para os humanos'', afirmou.
Já em Amoreira, o consumo de carne e de leite não caíram. O gerente do supermercado Maksid, Ismael Ramalho, disse que as carnes são compradas de frigoríficos de Londrina e que o estoque de leite do estabelecimento acabou. O agricultor Sandro Noboru Hachimoto, disse que ficou surpreso quando ficou sabendo, através da imprensa, que tinha aftosa no município. ''A gente fica com medo porque pode haver uma crise no município'', comentou.(F.M.)

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