Clima de incerteza dificulta escolha do melhor investimento
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 18 de janeiro de 1999
Agência Estado 
O mercado financeiro começa a semana em clima de indefinição, a começar pela nova política cambial e o preço do dólar. Ainda é prematuro apostar se a moeda norte-americana vai ficar na casa de R$ 1,45 a R$ 1,50, já que, embora o Banco Central (BC) tenha deixado o câmbio flutuar livremente na sexta-feira, houve poucos negócios. Quanto aos juros, apesar de a desvalorização do real abrir espaço para a queda das taxas, isso não deve ocorrer de imediato. As Bolsas, por fim, devem continuar muito instáveis.
A reação positiva do mercado na sexta ocorreu em boa medida porque a mudança no câmbio deverá permitir uma queda mais agressiva dos juros. No entanto, o BC ainda deve mantê-los em níveis elevados por algum tempo, para encarecer eventuais novas apostas contra o real. E, como pode haver algum repique inflacionário por conta do aumento dos preços dos produtos importados, os juros devem permanecer altos para que as aplicações financeiras não rendam menos que a inflação. Assim, a renda fixa deve seguir pagando rendimento elevado no curto prazo. Nesse segmento, os fundos DI ainda são os mais indicados. Eles são mais seguros por seguir a oscilação diária dos juros, o que é importante no momento.
O comportamento das Bolsas tende a continuar instável nos próximos dias. Embora a desvalorização tenha aspectos positivos para as Bolsas, já que as ações ficaram muito mais baratas em dólar, tornando-se atraentes para o investidor estrangeiro, muitas empresas endividadas na moeda norte-americana poderão quebrar. Além disso, a atividade econômica deverá ser muito fraca nos primeiros meses do ano, o que compromete o resultado das companhias.
Ainda que o BC adote uma banda larga para a oscilação do dólar, em vez do câmbio livre, as cotações da moeda deverão variar bastante daqui para a frente. A oferta e a demanda é que deverão determinar o preço do dólar, embora nada impeça que o governo intervenha no mercado, mesmo que seja adotada a livre flutuação. Com isso, quem tem dívida em dólar pode encontrar boa opção de proteção nos fundos cambiais.
A expectativa de que o governo adote o câmbio livre é grande. Nesse contexto, o dólar pode passar a oscilar mais fortemente e os fundos cambiais ficam indicados apenas para quem tem compromissos amarrados a essa moeda. Mas é preciso checar se o administrador está aplicando todo o capital do fundo em ativos remunerados pelo dólar, porque sómente assim a proteção será completa. O problema é que esses fundos, em geral, só aceitam grandes quantias.
Nos fundos de renda fixa, a remuneração tende a ser elevada. Mas, com a expectativa de alta dos juros no curto prazo, o investidor deve evitar os fundos que tenham papéis prefixados e optar pelos da modalidade DI, cujas cotas se valorizam diariamente de acordo com a oscilação do juro no mercado. Esses fundos, no momento, são os mais seguros. Nos fundos prefixados, o investidor tem perdas quando o juro tem altas bruscas após a data em que ele aplicou.
Já os fundos derivativos trazem muito risco no momento. Investidores já amargaram perdas pesadas, de até metade do capital investido, por causa da desvalorização do real na semana passada.


