Clima antecipa temporada de ofertas
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quarta-feira, 16 de julho de 1997
Cláudia Lopes Londrina 
Milton DóriaFora de épocaRoupa leve, chopp no meio da tarde: ares de primavera mudam comportamento do consumidor e o perfil do comércio em julho. Para Aneliza (abaixo), o momento não é apropriado nem para compras de inverno, nem de verãoOfertas tentadoras chegaram mais cedo às vitrines das lojas em Londrina este ano na tentativa de liquidar os estoques de roupas de inverno, mas o varejo vai precisar de muito poder de convencimento - com preços camaradas - para fisgar o consumidor. Muita gente ainda nem conseguiu usar artigos comprados no início da estação. É o caso da dona-de-casa Ermelinda Fioravante, que torce para a temperatura voltar a baixar na esperança de estrear duas blusas de lã, compradas no mês passado. Não usei porque esperava que o frio durasse até o final de julho. O tempo mudou e as blusas acabaram ficando no guarda-roupa, lamenta. Este ano, ela diz que não pretende comprar mais nenhum artigo de frio.
Para Aneliza dos Santos, o momento não é apropriado para sair às compras. Com este tempo instável, não é hora de comprar nem roupas de inverno nem de verão, diz. Motivada com as previsões que indicavam um inverno rigoroso neste ano, Aneliza comprou quatro cobertores. Dois ainda estão nas embalagens.
Os amigos Vladimir Pucci Liviero e Edivilson Lentini também não estão dispostos a gastar mais dinheiro com artigos de inverno. Pagando prestações de compras feitas no mês passado, eles acreditam que não há necessidade de fazer novas dívidas. Só comprei um conjunto de moleton, uma blusa e duas camisas de manga longa no mês passado, diz Liviero, que ontem à tarde passeava, de bermuda, pela cidade.
Iraci Goes diz que está com o guarda-roupa abarrotado de peças de frio. As compras foram feitas em abril, diz ela. Como nos últimos dois anos tivemos invernos amenos, esperava que fosse esfriar neste ano. Antenada nas liquidações - com descontos que variam de 10% a 50% -, Iraci pretende esperar até o próximo mês para comprar uma bota. É que o preço deve baixar ainda mais, espera.
Numa loja de calçados do centro da cidade, uma bota de couro, que até a semana passada custava R$ 186,40, já está sendo vendida por R$ 90 (em dois pagamentos). A gerente Nalva Rodrigues Lima diz que o clima quente obrigou a antecipação da liquidação de inverno. Segundo ela, até meados do mês passado as vendas iam bem. Com a virada do tempo, as vendas caíram. Fechamos o mês passado com números negativos em relação a junho de 96, conta.
Miriam Vendrame, gerente de uma loja de confecções, diz que as vendas neste mês caíram 20% em relação ao mês passado. Para tentar desovar os estoques, desde a semana passada estamos dando 30% de desconto na compra de confecções e 20% na de sapatos, diz. Apesar de ter estocado mais do que no inverno passado, neste ano a loja optou por roupas leves, como as de chamoix.
Uma loja do centro de Londrina se deu bem com a mudança de temperatura. O atraso na entrega de um pedido de inverno fez com que as peças, mais leves, chegassem agora, com a temperatura em elevação. Não estamos mais vendendo jaquetas, mas camisas de manga curta. Foi um bom negócio, conta a gerente Dircélia de Oliveira. Ela diz que, desde a semana passada, muitos clientes têm procurado a loja para fazer trocas. Tem gente que vem trocar calças flaneladas por peças mais leves, e camisas de mangas longas por curtas. Nesta loja, os descontos nos artigos de inverno vão de 10% a 30%.


