Clientes sofrem para receber salários no 19º dia de greve
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 08 de outubro de 2013
Mie Francine Chiba e Andréa Bertoldi<br>Reportagem Local 
Ontem, o 5º dia útil do mês, data em que a maioria dos trabalhadores recebe seu pagamento, os bancos entraram no 19º dia de greve e ficaram lotados de clientes em busca de atendimento nos caixas eletrônicos. Quem precisou sacar, depositar ou fazer alguma outra operação bancária, encontrou filas em frente às agências.
Além disso, enfrentou outros problemas no autoatendimento. Na agência da Caixa Econômica Federal (CEF) em frente à Catedral de Londrina, não havia envelopes para depósito. Em uma das agências do Itaú no Calçadão, usuários relataram mau funcionamento dos caixas. "Além de ficar meia hora na fila, a gente não consegue fazer depósito", afirmou Joêmia Prado, comerciante. Fernando Gonçalves Souza, auxiliar de produção, disse que a máquina desligou no meio do atendimento.
Uma usuária que não quis se identificar precisava pagar o penhor, já vencido, na Caixa, mas não conseguiu. Foi orientada a retornar no primeiro dia após a greve para pagamento sem encargos.
Ontem à noite, reunidos em assembleia, os bancários de Londrina e região decidiram recusar a primeira contraproposta apresentada pela Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) na última sexta-feira. Os patrões propuseram reajuste salarial de 7,1% (aumento real de 0,97%). Os bancários querem 6,6% de reposição da inflação mais 5% de aumento real
Em Curitiba, os trabalhadores também rejeitaram a proposta e continuam em greve. Na Capital, também foi dia de transtornos para quem precisou dos bancos. Na agência do Banco do Brasil da Praça Tiradentes, na área central da cidade, um dos caixas já não tinha dinheiro disponível para saque. No Bradesco da Rua XV de Novembro também não era possível retirar dinheiro.
Na Caixa da Praça Carlos Gomes não havia envelopes para depósito. O aposentado Neuri Siqueira fez um depósito em cheque para transferir dinheiro da conta corrente para a poupança na quarta-feira da semana passada e a operação ainda não havia sido consolidada.
Na agência do Itaú, na esquina da Marechal Deodoro com a Marechal Floriano, havia longa fila para utilizar os serviços do banco, aberto graças a uma autorização obtida na Justiça. "Estou há mais de meia hora na fila para pagar um boleto de condomínio que já está vencido", disse a auxiliar de cozinha Rosana Siqueira.
O comerciário Sandro Silveira assumiu um emprego novo e não está conseguindo receber o primeiro salário porque precisa desbloquear o cartão, serviço que só pode ser feito pelos funcionários dos bancos que estão em greve.
Dezeni Aparecida da Silva, que trabalha com estética, disse que, mesmo recorrendo aos serviços das lotéricas, há operações que não podem ser realizadas nestes locais. "Há boletos que as casas lotéricas não recebem. Se estiver em atraso, também não há a possibilidade de realizar o pagamento", disse.
Contatada sobre o problema encontrado em uma de suas agências, a Caixa em Londrina afirmou que se trata de uma ocorrência pontual e que a agência já foi orientada a regularizar a situação. A reportagem não conseguiu contato com o Itaú.


