Clientes nem sempre percebem ações
Curitiba - Uma conversa com clientes de supermercados é o suficiente para comprovar que as ações das redes em relação à sustentabilidade ainda não são fatores relevantes na escolha do local onde a pessoa fará suas compras. Segundo especialistas, apenas uma fatia pequena da população leva em consideração as atitudes da empresa ao eleger o mercado.
A psicóloga Valquíria Borba, 51 anos, uma das participantes do 1º Encontro de Clientes do Mercadorama, reconhece a importância das preocupações com o meio ambiente. ''É hora da gente ter consciência de que as coisas são finitas'', afirma. Mas perguntada se escolhe o supermercado por causa de medidas ecologicamente corretas, as coisas mudam de figura. ''(As ações) não necessariamente fazem com que eu me torne cliente mais assídua de um mercado. Mas reconheço que o trabalho de conscientização é importante'', diz. Valquíria conta que a proximidade da loja e os preços ainda são os critérios mais usados por ela para decidir onde fará as compras.
A dona-de-casa Yara Zarpellon Kuzmicz, 58 anos, é outra que não considera as ações de sustentabilidade das redes. ''Os supermercados estão começando nessa área e o consumidor ainda não consegue detectar essas ações. Fala-se muito nisso, mas nem sempre as ações aparecem'', declara.
As constatações de Valquíria e Yara são confirmadas por Yvy Karla Abbade, do Isae/FGV. ''Apenas a fatia esclarecida da população já escolhe o supermercado ou os produtos que vai comprar por causa das ações da empresa em prol da sustentabilidade'', afirma. Para o presidente da Apras, Everton Muffato, isso só vai começar a acontecer no Brasil se houver uma mudança de cultura da população, o que leva tempo.
Outro que segue a mesma linha é o economista Luiz Carlos Ewald. Especialista em economia doméstica e autor do livro ''Sobrou dinheiro'', ele foi um dos palestrantes do encontro do Mercadorama. ''Aos poucos, com a conscientização de toda a sociedade pensando na sustentabilidade, essas ações vão dar resultado'', afirma, para em seguida fazer um alerta. ''Mas essa preocupação com a sustentabilidade pode ser apenas uma fantasia se o País não tiver civilização, com as pessoas tendo acesso a educação, cultura e planejamento familiar'', conclui. (R.L.)





