O questionamento quanto ao preço mínimo é verificado também entre a população. Os paranaenses se dividem entre os que defendem a privatização do Banestado e os que gostariam de ver o banco mantido nas mãos do governo do Estado. Mas a maioria deles questiona a forma como o banco será vendido e o preço mínimo de R$ 434 milhões que foi estipulado pelos bancos que fizeram a avaliação e a modelagem do Banestado para a privatização.
A Folha ouviu alguns clientes do Banestado que saíam ontem de agências em Curitiba e Londrina. O engenheiro Carlos Roberto Bittencourt questionou o fato de o Banestado ter recebido R$ 5,8 bilhões (valores atualizados) para ser saneado e agora ser vendido por um preço que é 13 vezes inferior. ‘‘O valor é muito baixo se levarmos em conta a quantidade de dinheiro que foi investido no banco’’, disse Bittencourt, que é presidente do Sindicato dos Engenheiros.
O cliente do banco Joaquim Marques também tem dúvidas quanto ao preço fixado para a venda. ‘‘Estamos perdendo um símbolo do Paraná. Acho que isso teria de ser levado em conta. Eu mesmo preferia que ele ficasse com o governo.’’, Irritada com a demora no atendimento que teve numa agência central do Banestado, a secretária Maria Arlete Purcote dos Santos saiu em defesa da venda do banco. ‘‘O preço talvez não seja justo, mas com outros donos quem sabe o atendimento melhore’’, disse.
O publicitário de Londrina, Durval Bahia disse que não podeira comentar o valor de avaliação porque não teve acesso à documentação. ‘‘Mas sou a favor da venda do banco, que se tornou um cabide de empregos’’, disse. Para ele, o Banestado está muito desgastado. Ao invés de gerenciar um banco, o governo estadual deveria se preocupar com necessidades básicas como saúde e educação.
A professora Yara Aparecida de Lima não concorda com o valor estipulado para a venda do banco. ‘‘O valor não corresponde a realidade. Teria que ser muito mais que os R$ 434 milhões avaliados pelo governo.’’ Yara também é contra a venda do Banestado, elegando que as privatizações feitas no Brasil não tiveram o resultado esperado. ‘‘Em alguns casos, o dinheiro foi desviado. Esta venda significa a perda de um patrimônio muito importante do Paraná. E o atendimento não deixa a desejar’’. (Carmem Murara e Cláudia Lopes, de Londrina)

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