Clientes devem ficar atentos sobre limite da banda larga
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quarta-feira, 13 de abril de 2016
Folhapress 
São Paulo Usuários de banda larga fixa devem ficar atentos na hora de escolher um pacote e sempre perguntar se existe limite de franquia no plano da operadora, diz Rafael Zanatta, pesquisador de telecomunicações do Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor). Operadoras como Vivo e Net estão oferecendo conexão à internet por meio de planos com limites mensais no caso da Vivo, de 10 Gbytes a 130 Gbytes. Os novos contratantes da Vivo têm condições "promocionais" até 31 de dezembro deste ano, quando passa a valer o bloqueio.
Contratos assinados antes das mudanças não serão afetados. Qualquer alteração ou melhoria no pacote resulta em um novo contrato, portanto, elegível ao novo modelo de cobrança.
A franquia de dados prática comum na rede móvel já existe quando se trata de banda larga. A Net, por exemplo, afirma que sempre trabalhou com o serviço, reduzindo a velocidade para a menor faixa disponível (1 Mbps) até o fim do mês, caso o plano seja ultrapassado. Mas grupos e usuários começaram a se mobilizar em fevereiro, quando a Vivo anunciou que iria bloquear ou reduzir a conexão de novos clientes que ultrapassem o plano contratado. "A franquia já existia, a Anatel já tem regulamentação para isso. O que assusta é que as empresas estão reduzindo muito a franquia e não estão explicando por que estão fazendo isso", afirmou Zanatta.
Para Zanatta, o fato de as três principais companhias desse mercado estarem optando por esse modelo de negócios configura crime contra a ordem econômica. "O consumidor não tem para onde correr, ele não vai poder escolher uma empresa que não tenha franquia e vai ser lesado, porque ao atingir o limite, o usuário terá que se contentar em comprar outro pacote ou ficar sem internet até o próximo mês", disse. A Anatel argumenta que a medida impactará poucos usuários, porque os planos teriam limites amplos e adequados para cada tipo de cliente - dos "heavy users" aos usuário que apenas usam a internet para responder e-mails, por exemplo. Zanatta discordou: "Os planos mais baratos, de cerca de R$ 50, oferecem de 10 Gbytes a 20 Gbytes. Como fica a família de classe média com um filho viciado em jogos e outro que quer ser youtuber, por exemplo?." Segundo ele, pequenos empreendedores também iriam sofrer, além de restaurantes e lojas -que talvez não tenham condições de oferecer wi-fi gratuito.
Ação pública
Sites especializados informaram que a Oi começaria a reduzir a velocidade da conexão após o fim do pacote. A empresa negou e disse que "não pratica redução de velocidade ou interrupção da navegação após o fim da franquia". O Idec vai entrar com uma ação civil pública em Brasília hoje contra as principais operadoras. "Nossa esperança é que o Judiciário reconheça a questão e suspenda esses contratos enquanto não temos uma ampla discussão sobre franquia de dados no Brasil", afirmou Zanatta.


