A falta de dinheiro nas máquinas de algumas agências bancárias de Londrina tem motivado os clientes a procurarem o serviço de saque nas casas lotéricas. Conforme pesquisa informal realizada pela FOLHA com algumas unidades centrais, o fluxo de saques nos estabelecimentos está aumentando a cada dia e alguns, inclusive, tiveram de adotar medidas emergenciais para evitar que o dinheiro se esgote rapidamente.
Uma lotérica na rua Sergipe está com o saldo baixo desde o primeiro dia da greve. ''Como os bancos não estão promovendo a saída de numerários, acabamos fazendo esse papel e, por isso, a demanda aumentou significamente'', disse o gerente Marcio Tadashi. De acordo com ele, o estabelecimento está ''pagando o que tem'', mas quando falta dinheiro, é obrigado a recusar o atendimento. Como medida paliativa, a lotérica já suspendeu os saques de R$ 1 mil. ''Por enquanto vamos continuar neste ritmo porque o dinheiro que entra está saindo. O nosso crédito são as contas pagas aqui'', acrescentou.
A situação não é diferente em outra lotérica na rua Goiás. Segundo o proprietário Jouji Nakashima, o movimento para saque também está intenso desde o início da manhã de ontem. ''Estou preocupado porque não sei como vamos atender amanhã (hoje) e na segunda-feira, visto que nos finais de semana há poucos pagamentos e muitas pessoas sacam dinheiro para sair'', relatou. As expectativas do empresário também são negativas para a próxima semana. ''Pelo jeito não vai ser fácil. A tendência é piorar.''
Em outra lotérica na rua Rio de Janeiro, o dinheiro que está entrando por meio do pagamento de contas ainda é suficiente para atender os saques, que já aumentaram pelo menos 20%. Entretanto, o proprietário Nilton Yamada está atento a qualquer diminuição nos saques para restringir os limites de depósitos e pagamentos de boletos. ''Se a greve persistir e os saques diminuírem, teremos de controlar a entrada de dinheiro por questão de segurança'', disse.
''Observei que o volume de saques aumentou proporcionalmente ao de outras greves'', contou, por sua vez, Nivaldo Munhoz, de lotérica na avenida Paraná. De acordo com ele, ''por enquanto o dinheiro está girando'', mas se a tendência de greve permanecer, também vai diminuir os limites. ''Como o banco autorizou, tenho essa opção'', reiterou.
A Caixa informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que abriu a possibilidade para os empresários lotéricos diminuirem o valor de recebimento de boleto, em função da greve, mas não estebeleceu valor. ''Vai depender do fluxo de cada estabelecimento.''

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