Clientes buscam organização financeira
A maioria dos clientes que buscam auxílio de um planejador financeiro são pessoas que procuram rentabilizar os investimentos, organizar as finanças e planejar uma mudança importante na vida, como trabalhar meio período, tirar um ano sabático, viajar ou se aposentar.
''Tive um cliente que queria mudar de profissão; ele era advogado, ganhava muito bem, mas queria dar aulas de inglês. Como sustenta a família, acabamos vendo que não tinha condições de mudar de ramo, mas ele conseguiu reservar um horário para fazer aquilo que queria'', conta Raphael Cordeiro, planejador independente em Curitiba.
Cordeiro começou a trabalhar com pessoas endividadas, em 2002, mas sentia-se frustrado porque só conseguia ter sucesso em 50% dos casos. Já com clientes organizados e que buscam investir melhor, o sucesso era de até 80%. ''As pessoas que estão no 'buraco' são por comportamento e não por falta de técnica. A técnica eu ajudo, mas o comportamento, não'', explica. ''A profissão exige um multiespecialista, que entenda de vários assuntos e também lide com o emocional, pois 50 a 80% do trabalho é voltado às emoções e o restante à técnica'', acrescenta.
Atualmente, a maioria dos clientes de Cordeiro é de classe média alta e o restante de classe média baixa (com renda entre R$ 2 mil a R$ 5 mil), além de pequenos e médios empresários que não conseguem ter aumento de patrimônio na pessoa física. Dentre as preocupações básicas, ele cita a garantia de menor dependência da renda do trabalho (95% dos clientes) e a educação dos filhos.
Para quem deseja iniciar na carreira, a dica é ter boa reserva de valor ou extensa rede de contatos para garantir um nível razoável de faturamento. A consulta do planejador financeiro pode custar de R$ 100 a R$ 300 a hora, dependendo da complexidade do assunto e o volume de pesquisa que vai demanda. Não há regra única para a cobrança.
A planejadora Viviane Farah Ferreira, que trabalha em um distribuidora de valores em São Paulo, atende mulheres que se separaram ou ficaram viúvas, e precisam de assessoria profissional para cuidar do dinheiro da família. ''Todos precisam de um planejador financeiro, mas as mulheres nos procuram bastante. A mulher que se torna independente quer cuidar do próprio dinheiro'', diz.
O consultor financeiro independente Friedbert Kroeger, que iniciou no ramo há três anos, após concluir carreira na área bancária, observa que o brasileiro ainda não está voltado ao desafio de se preparar para a melhor idade, mas acredita que a profissão ''tem futuro'' e deverá estar em alta dentro de cinco a 10 anos, no máximo. ''Já me preparei pensando nisso'', conta.
Outra opção
Quem não tem condições para contratar um planejador financeiro pode se valer dos agentes bancários. Por meio da certificação CPA 10, eles estão habilitados a oferecer orientações que direcionem os clientes à melhor aplicação de suas finanças.
A certificação é dirigida a administradores, funcionários, prestadores de serviços, prepostos, estagiários das instituições fiscalizadas pelo Banco Central ou pela Comissão de Valores Imobiliários que atuam na comercialização de produtos de investimentos em agências bancárias ou cooperativas de crédito.
Antônio Carlos Baraldi, gerente geral da Caixa Econômica Federal, de Cambé, informa que diariamente em sua agência são atendidos ao menos 10 clientes que buscam instruções financeiras. Os motivos são variados: mudança de cidade, saque do fundo de garantia, aposentadoria, recebimento de herança ou ação na justiça.
A Caixa, segundo Baraldi, que é instrutor da Universidade Coorporativa do banco, oferece o curso gratuitamente aos seus empregados e institutos municipais de previdência social. A carga horária é de 40 horas, divididas em cinco dias. A prova on-line para a certificação é composta de 80 questões, com os temas que incluem o programa do CPA 10; é aplicada num escritório da cidade credenciado pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima).





