Clientes bancários terão uma opção a menos
Os clientes do HSBC podem ficar tranquilos em relação à continuidade dos serviços e do atendimento no Brasil, se a filial for vendida. Bradesco, Itaú e Santander, os três bancos que disputam o HSBC no País, têm uma longa experiência em aquisições e posterior incorporação das instituições e de clientes. Todos os serviços e preços são estabelecidos em contratos, que vem junto com o banco comprado. Normalmente, o cliente terá de se adaptar a novo número de agência e conta. Mas a mudança leva um tempo e tem um período relativamente longo para todos se adaptarem. Em alguns casos, o cliente pode ser transferido para uma agência vizinha.
A professora de finanças da Universidade Presbiteriana Mackenzie, Michele Jucá, disse que o Bradesco ofereceu R$ 10 bilhões pelo HSBC, enquanto o Santander ofertou R$ 9 bilhões e o Itaú Unibanco R$ 8 bilhões. Segundo ela, para o Bradesco, a aquisição é ainda mais estratégica, uma vez que ele teria a oportunidade de aproximar seu total de ativos (R$ 883 bilhões mais os R$ 168 bilhões do HSBC, o que daria R$ 1,051 trilhões), ao do Itaú Unibanco (R$ 1,117 trilhões) e ao da CEF (R$ 1,064 trilhões), passando a deter mais de 14% do total do mercado financeiro nacional.
Com a venda, os clientes bancários terão uma opção a menos mas, segundo ela, essa é uma tendência natural de concentração desse mercado e representa um caminho sem volta. "O Bradesco teria o desafio de atender este perfil de clientes do HSBC e de retê-los", disse. Ela lembrou que o cliente tem hoje a possibilidade da portabilidade de crédito para buscar taxas mais competitivas. Ela tranquilizou os clientes do HSBC e disse que a carteira de consumidores será migrada para a nova instituição. "O banco não está falindo", destacou.
O professor do curso de Economia da PUCPR, Luiz Paulo Martins, também afirmou que o correntista não precisa ter muita preocupação agora. Ele destacou que o banco só está mudando de gestor, o que não deve trazer perdas para os clientes. Os correntistas que devem acompanhar o processo de transição com mais cuidado são os que possuem aplicações financeiras e planos de previdência privada. Caso um banco brasileiro faça a aquisição do HSBC, ele prevê diminuição da concorrência no setor. "O Sistema Financeiro Nacional tem um Banco Central bem atuante e regulador. Por isso, os clientes do HSBC não devem ficar preocupados", declarou. (A.B.)





