Cliente de empresa aérea pode ficar na mão
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sexta-feira, 14 de abril de 2006
Vera Dantas<br>Agência Estado 
São Paulo - Quem tem passagem da Varig ou milhas da companhia do programa Smiles tem motivos de sobra para se preocupar com a crise enfrentada pela empresa. Os especialistas das entidades de defesa do consumidor deixam claro que, se a companhia parar de voar, será muito difícil conseguir o endosso dos bilhetes em outra companhia aérea e mais ainda transferir as milhas para o programa de outra empresa.
''Por enquanto, só temos atrasos nos vôos e alguns cancelamentos, mas se a companhia quebrar o consumidor vai ficar na mão. A verdade é essa'', diz o gerente jurídico do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), Marcos Diegues. Neste caso, explica, o passageiro entra na massa falida e é o último a receber seus créditos. ''Tanto faz se ele tem milhas ou bilhete adquirido, a situação é complicada do mesmo jeito.'' Diegues explica que mesmo para o consumidor que tenha uma passagem comprada será difícil o endosso, a não ser que o governo interfira e faça algum acordo com outra companhia. ''As empresas vão resistir em aceitar um bilhete de uma concorrente que não está conseguindo honrar seus compromissos.''
O cenário é muito nebuloso, na avaliação do Idec, porque serão milhares de bilhetes para serem endossados ou trocados por milhas. Para o Procon, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) já deveria ter um plano pronto e transparente de ação para o caso de a Varig parar de voar. ''Estudamos a possibilidade de pedir um encontro com a Anac para discutir esta situação'', diz a técnica de Defesa do Consumidor, do Procon, Marcia Christina Oliveira. Segundo ela, é obrigação da Anac garantir ao consumidor as viagens programadas.
A preocupação do consumidor com a situação da Varig já teve reflexos no atendimento do programa de milhagem Smiles. Afetou também a cotação de compra e venda de milhas nas empresas que comercializam milhagem no mercado.
A central do programa Smiles da Varig foi obrigada a aumentar o número de atendentes para dar conta do acréscimo de ligações para resgatar milhas. ''A média de telefonemas subiu de 10 mil por dia para 13,5 mil desde a semana passada'', diz o diretor de Marketing da companhia, Faustino Pereira. ''O participante do programa de milhagem está ansioso e a ordem é atender o cliente'', diz. Segundo o executivo, em 2005 a Varig resgatou 700 mil prêmios.
Na quinta-feira, manifesto assinado por seis sindicatos e associações das agências de turismo e operadoras de viagem, expressava a preocupação do setor coma possível falência da companhia. A informação é de que a Varig vendeu a 300 mil passageiros 1,2 milhão de trechos, dos quais 200 mil fora do Brasil. ''Além de milhares e milhares de reservas'', disse Eduardo Vampré do Nascimento, presidente da Associação Brasileira de Agências de Viagens de São Paulo (Abav-SP). A Varig tem ainda, segundo Nascimento, cerca de 20 mil passagens reservadas para a Copa do Mundo.


