Agência Estado
Do Rio
Há um ano e meio, o dentista Murtrajan Cavalcanti, de 55 anos, decidiu transformar a aposentadoria ‘‘indigna’’ que recebe do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS) em uma aposentadoria ‘‘digna’’ para os filhos. Com os R$ 1 mil que o INSS lhe dá, após uma contribuição que começou aos 14 anos, Cavalcanti paga todo mês planos de previdência privada da Icatu Hartford para os quatro filhos, com idades entre 17 e 22 anos. O dentista continua a trabalhar para garantir sua renda.
‘‘Eu sabia que, no dia em que me aposentasse pelo INSS, iria ganhar um valor vergonhoso’’, conta. Seus filhos têm a opção de retirar o dinheiro quando completarem 21 anos. Mas a orientação de Cavalcanti é que eles não caiam em tentação e mantenham os planos até a aposentadoria.
O médico Marcos Francisco Tetrarolha também fez um plano de previdência da BrasilPrev para os três filhos – de 14, 11 e 9 anos –, dois anos depois de contratar o seu. Gasta cerca de R$ 200 por mês para os filhos e considera os planos uma poupança.
Os planos chamados de kids, júnior, first etc. se multiplicam no mercado. ‘‘É o segmento que mais cresce’’, afirma o gerente de mercado da BrasilPrev, José Mauro Gonzalez. A empresa já oferece 150 mil a 200 mil planos para ‘‘clientes’’ entre zero e 20 anos, encostando no número dos planos individuais tradicionais – 300 mil a 350 mil. O Itaú, que lançou seu plano no final de 1998, já vendeu 15 mil.
Planos para crianças e adolescentes não são a única tendência do setor. Em geral, o cliente da previdência privada no Brasil está rejuvenescendo. ‘‘Há 7 ou 8 anos, com a hiperinflação, poucos conseguiam pensar em investimento de longo prazo’’, diz o diretor executivo da Icatu Hartford, Flávio Ramos. ‘‘A discussão sobre a Previdência Social também era mais fechada, hoje todo mundo consegue entender melhor’’.
O diretor gerente de previdência do Itaú, Osvaldo do Nascimento, explica que a faixa de até 28 anos é a mais afetada pelo tempo de contribuição e fator previdenciário, e hoje pensa no assunto previdência. Na BrasilPrev, a faixa de 20 a 30 anos responde por 20% dos planos individuais. Na Icatu Hartford, beneficiários entre 14 a 30 anos respondem por 10% a 15% dos planos.
Os clientes ainda reclamam das elevadas taxas cobradas pelos administradores dos planos de previdência privada. ‘‘A taxa de administração é alta demais, mas não tenho outra saída’’, afirma a fonoaudióloga Cláudia Liechavicius, 37 anos, há três contribuindo para um plano da Icatu Hartford.
Segundo o titular da Superintendência de Seguros Privados (Susep), do Ministério da Fazenda, Helio Portocarrero, as taxas de carregamento (espécies de taxas de administração) têm caído. Nos planos antigos, chegavam a 12%, mas a BrasilPrev inaugurou a ‘‘concorrência’’ cobrando 9% nos novos planos. A Icatu Hartford também baixou as taxas para os novos planos de 12% para 8%. ‘‘A tendência é a estabilização em 5%, em média’’, aposta Portocarrero.

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