Nova York - Wall Street começou a semana já computando em suas análises o custo de um governo de transição de Fernando Henrique Cardoso para Luiz Inácio Lula da Silva. Em relatórios divulgados ontem, a agência classificadora de riscos Fitch e a corretora de valores Merrill Lynch dão a eleição do petista como certa e especulam como a transição de poder afetará a economia.
  A primeira a se manifestar foi a Fitch, que rebaixou a classificação de longo prazo do Brasil, em moeda local e estrangeira, de ‘‘B+’’ para ‘‘B’’, igualando o País à economia da Indonésia. Além disso, a perspectiva virou ‘‘negativa’’, o que embute possibilidade de novos rebaixamentos.
  O Ministério da Fazenda e o Banco Central divulgaram nota em que lamentam a decisão da agência, que é classificada de ‘‘extemporânea e equivocada’’.
  Em relatório assinado pelos analistas Roger M. Scher e Shelly Shetty a agência afirma que o rebaixamento ‘‘reflete a piora nos fundamentos do crédito do Brasil conduzidos pelas persistentes incertezas sobre a continuidade da atual política econômica e a sustentabilidade da dívida como um resultado da transição política’’.
  Para a agência, a dívida brasileira voltará a ser sustentável ‘‘somente se o próximo presidente agir rapidamente para estabelecer sua credibilidade - com boas nomeações para postos importantes da economia e reafirmando seus compromissos com políticas macroeconômicas prudentes e reformas - e formar uma coalizão no Congresso’’.
  Na mesma linha vai a Merrill Lynch, em dois relatórios divulgados no começo da manhã de ontem. No primeiro, intitulado ‘‘Teles Brasileiras - Diminuição de Crédito? O Real Parece ser o Mais Recuperável’’, assinado por Whitney Johnson, a corretora de valores revê seus números da economia brasileira para o ano que vem.
  ‘‘No caso de uma diminuição de crédito vir a ocorrer prevemos para 2003 o dólar a R$ 4,00, uma queda no PIB de 1,5%, uma inflação anual de 16% e uma taxa básica de juros de 22%’’, cita o texto.
  ‘‘Nos acreditamos que a vitória de Lula é o cenário mais provável’’, diz Johnson, que ressalta: ‘‘Nossa equipe latino-americana permanece otimista em relação à possibilidade de Lula anunciar um conjunto de iniciativas favoráveis ao mercado no período de transição de governo’’.
  Ela remete ao segundo relatório, ‘‘Brazil - ‘‘Recuperômetro’ -Sensibilidade Corporativa a um Ambiente Econômico mais Adverso’’, assinado por Amy Dickinson, que analisa a semana pré-eleição e faz projeções para o período imediatamente posterior.
  ‘‘Mantemos a classificação do Brasil em ‘‘valor de mercado’, porque continuamos convencidos de que a hipótese Lula não traz em si o fim do mundo que parte do mercado parece estar sugerindo’’, começa o texto. Mesmo assim, diz a analista, Wall Street ‘‘provavelmente vai continuar nervosa por algum tempo depois da eleição.’’

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