Classificação do Brasil é rebaixada pela Fitch
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 21 de outubro de 2002
Agência Folha 
Nova York - Wall Street começou a semana já computando em suas análises o custo de um governo de transição de Fernando Henrique Cardoso para Luiz Inácio Lula da Silva. Em relatórios divulgados ontem, a agência classificadora de riscos Fitch e a corretora de valores Merrill Lynch dão a eleição do petista como certa e especulam como a transição de poder afetará a economia.
A primeira a se manifestar foi a Fitch, que rebaixou a classificação de longo prazo do Brasil, em moeda local e estrangeira, de B+ para B, igualando o País à economia da Indonésia. Além disso, a perspectiva virou negativa, o que embute possibilidade de novos rebaixamentos.
O Ministério da Fazenda e o Banco Central divulgaram nota em que lamentam a decisão da agência, que é classificada de extemporânea e equivocada.
Em relatório assinado pelos analistas Roger M. Scher e Shelly Shetty a agência afirma que o rebaixamento reflete a piora nos fundamentos do crédito do Brasil conduzidos pelas persistentes incertezas sobre a continuidade da atual política econômica e a sustentabilidade da dívida como um resultado da transição política.
Para a agência, a dívida brasileira voltará a ser sustentável somente se o próximo presidente agir rapidamente para estabelecer sua credibilidade - com boas nomeações para postos importantes da economia e reafirmando seus compromissos com políticas macroeconômicas prudentes e reformas - e formar uma coalizão no Congresso.
Na mesma linha vai a Merrill Lynch, em dois relatórios divulgados no começo da manhã de ontem. No primeiro, intitulado Teles Brasileiras - Diminuição de Crédito? O Real Parece ser o Mais Recuperável, assinado por Whitney Johnson, a corretora de valores revê seus números da economia brasileira para o ano que vem.
No caso de uma diminuição de crédito vir a ocorrer prevemos para 2003 o dólar a R$ 4,00, uma queda no PIB de 1,5%, uma inflação anual de 16% e uma taxa básica de juros de 22%, cita o texto.
Nos acreditamos que a vitória de Lula é o cenário mais provável, diz Johnson, que ressalta: Nossa equipe latino-americana permanece otimista em relação à possibilidade de Lula anunciar um conjunto de iniciativas favoráveis ao mercado no período de transição de governo.
Ela remete ao segundo relatório, Brazil - Recuperômetro -Sensibilidade Corporativa a um Ambiente Econômico mais Adverso, assinado por Amy Dickinson, que analisa a semana pré-eleição e faz projeções para o período imediatamente posterior.
Mantemos a classificação do Brasil em valor de mercado, porque continuamos convencidos de que a hipótese Lula não traz em si o fim do mundo que parte do mercado parece estar sugerindo, começa o texto. Mesmo assim, diz a analista, Wall Street provavelmente vai continuar nervosa por algum tempo depois da eleição.


