Com o Índice de Preços ao Consumidor (IPCA) atingindo alta de 6,15% em janeiro e 6,30% em fevereiro, o primeiro bimestre do ano teve uma redução considerável no consumo de bens não duráveis por parte das classes D e E, em comparação com o mesmo período de 2012. É o que aponta pesquisa divulgada pela Kantar Worldpanel, que colheu dados de 8,2 mil lares (de várias camadas sociais) em sete regiões do País.
O preço médio dos principais produtos consumidos pelas classes D e E teve alta de 10%, levando esses consumidores a diminuir em 11% a quantidade de unidades compradas no período. Ainda assim, o valor gasto foi 6% maior em comparação com o primeiro bimestre de 2012. Números diferentes das classes econômicas A e B, que mesmo diante do preço médio com alta de 8%, mantiveram as compras estáveis e aumentaram em 14% o valor gasto. Já a Classe C sentiu alta de 9% no preço médio, gastou 14% a mais e reduziu o consumo em 3%.
As classes que reduziram o consumo no primeiro bimestre até encheram mais o carrinho quando foram ao supermercado. O indicador "volume por ocasião de compra" teve alta de 8%. Acontece que esses consumidores foram em média duas vezes menos ao supermercado, o que resultou na redução total de consumo.
Executiva de Comunicação e Marketing da Kantar World Panel, Carolina Andrade destaca que a cesta com maior impacto foi a de alimentos, com 9% de redução em unidades na estatística que abrange todas as classes. O consumo de produtos de higiene e beleza ficou estável, enquanto que o de bebidas apresentou alta de 2%. Já a compra de produtos de limpeza atingiu alta de 5% em unidades. "Se olhar o IPCA sem os alimentos é outra coisa totalmente diferente. É o que está pesando mesmo no bolso, principalmente, para as classes D e E", afirma Carolina.
Entre os alimentos que essas duas classes mais reduziram o consumo, a pesquisa destaca itens como massa fresca, sobremesa pronta, leite pasteurizado e pães artesanais. Por outro lado tais consumidores passaram a consumir mais produtos como lanche pronto, bebidas à base de soja, sopas, detergente líquido de roupas e molhos prontos.

Mais conservador
Na região Sul do Brasil as classes D e E também reduziram o consumo no primeiro bimestre, mas com uma variação de 2%. O preço médio dos principais produtos comprados por esses consumidores teve alta de 10% e o valor gasto por eles foi 6% maior. Já no volume por ocasião de cada compra, houve queda de 6%, comportamento bem diferente da média nacional. "A maioria das outras regiões teve alta desse volume", aponta a executiva.
Ela acredita que a exceção pode representar um perfil de consumidor mais conservador e precavido para a alta nos preços. O consultor financeiro e diretor do PUC em Londrina, Charles Vezozzo, ainda acrescenta: "É um consumidor com perfil mais conservador e para o qual a informação chega com mais facilidade".

Imagem ilustrativa da imagem Classes D e E reduzem consumo de bens não duráveis
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