Classes D e E experimentam mais e impulsionam consumo de massas
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 31 de julho de 2013
João Fortes<br>Reportagem Local 
Responsáveis por 39% do consumo de massas industrializadas no Brasil, as classes D e E parecem estar mais dispostas a experimentar novos produtos, mesmo que estes sejam mais caros. É o que mostra uma pesquisa encomendada pela Associação Brasileira das Indústrias de Massas Alimentícias e Pão & Bolo Industrializado (Abima) e realizada pela consultoria Kantar World Panel. De acordo com o estudo, em 2012, as classes D e E consumiram um volume 20% maior de massa fresca, na comparação com o ano anterior.
Esse tipo de produto, que costuma ser vendido congelado, como lasanha, por exemplo, também agrega outros alimentos - carne, molhos, queijo - e, consequentemente, é mais caro do que massas tradicionais ou instantâneas, levando também a um crescimento de 27% no valor gasto com massa fresca por parte dessas classes.
"Acreditamos que os números mostram uma tendência geral do consumo no Brasil. Com as medidas recentes do governo federal, as classes D e E são as mais favorecidas, e o brasileiro sempre gostou de experimentar. Agora, tem dinheiro para isso", analisa o presidente da Abima, Claudio Zanão.
O professor de economia da Universidade Federal do Paraná (UFPR) Adilson Volpi concorda com o fator renda, mas também destaca outro motivo para tal experimentação das classes D e E. "Se a pessoa está consumindo massa fresca ela tem freezer e micro-ondas, então há o fato de mais pessoas terem acesso a compra desses eletrodomésticos", destaca.
Já o sócio-proprietário da Rivoli Massas, de Londrina, Marcos Marangoni, destaca que mesmo os consumidores das classes D e E estão mais criteriosos na hora de fazer uma refeição diferenciada. "Ele vai comer a comida de restaurante a um custo acessível, mas não é só pelo preço e sim pela satisfação final de comer bem", comenta.
Se de um lado essas classes passaram a consumir mais massa fresca, a classe C reduziu esse consumo em 6%, gastando 3% a menos com esse tipo de produto, conforme a pesquisa. Já as classes A e B reduziram em 4% o consumo de massa fresca, mas mantiveram estável o valor gasto com o produto. "Mas não é algo que gera um impacto significativo no mercado, já que apesar dessa pequena redução, houve aquele aumento muito grande no consumo das classes D e E", avalia o presidente da Abima, Claudio Zanão.
Quando se trata da massa tradicional, representada principalmente pelo popular macarrão, o consumo é um consenso, conforme a pesquisa, que aponta uma penetração desse tipo de produto de quase 100% em todas as classes sociais.
Ainda assim as classes D e E foram as que mais aumentaram o consumo desse item, em 3%. A classe C manteve o consumo estável e A e B aumentaram em 1%. Já o consumo de massa instantânea teve crescimento de 7% por parte das classes D e E, 2% na C e 4% para A e B.
De acordo com informações da Abima, o Brasil é o terceiro maior mercado consumidor de massas alimentícias do mundo. Somente no ano passado o setor comercializou 1,190 mil toneladas em produtos e teve um faturamento de R$ 6,2 milhões, cerca de 1,8% a mais do que em 2011. "Nossa expectativa esse ano é de um crescimento de 3%", conclui o presidente da Abima.



