Classes D e E consomem 11% a mais no governo Lula
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quinta-feira, 23 de novembro de 2006
Karen Camacho<br> Folhapress 
São Paulo - As classes D e E, que englobam famílias com rendimento médio de até quatro salários mínimos e representam 39% da população, consumiram 11% mais alimentos, bebidas e produtos de higiene e limpeza durante os quatro anos do governo Lula
De acordo com pesquisa divulgada ontem pela LatinPanel, a maior empresa de pesquisa de consumo domiciliar da América Latina, os brasileiros mais pobres ampliaram sua cesta básica de compras de 21 para 27 itens.
Para a diretora comercial da LatinPanel, Margareth Utimura, além de ampliar o número de categorias, houve uma sofisticação da cesta de consumo das pessoas de baixa renda. Essas classes passaram a consumir, por exemplo, suco em pó, massa instantânea, caldo para tempero, salgadinhos e leite longa vida.
Em reais, os gastos dos brasileiros dessas classes subiram 35% no governo Lula - mas esse crescimento maior deve-se ao aumento dos preços dos produtos. A LatinPanel acredita que os aumentos de salários e do crédito contribuíram para a ascensão do consumo. O reajustes reais do salário mínimo e o Bolsa-Família contribuíram para que 2 milhões de famílias deixassem as classes D e E durante o governo Lula e chegassem à classe C.
A LatinPanel alerta, entretanto, que também houve crescimento da inadimplência. O percentual de cheques sem fundos, por exemplo, cresceu de 12% em 2002 para 18,9% neste ano.
A pesquisa mostra ainda que todas as classes sociais estão consumindo mais e incluindo produtos práticos (de fácil preparo) e não-básicos (como condicionador de cabelo, por exemplo) nas compras.
Para Margareth, o consumidor também está experimentando mais marcas desconhecidas. O resultado foi que 48% das marcas líderes perderam participação de mercado durante o primeiro mandato do governo Lula.


