Classes C e D viram alvo da casa própria
Empresa de pré-fabricados adapta-se à nova realidade, muda estilo e passa a oferecer kits para quem ganha salário mínimo
Carmem Murara
Sucursal de Curitiba

Gilson AbreuNicho de mercadoKurten diz que retomou a produçao com a classe baixa: ‘‘A classe média nao comprava mais nada’’O setor empresarial que constrói casas pré-fabricadas descobriu um novo nicho de mercado: o das casas populares para as classes C e D. A procura pela moradia fez com que as empresas se adaptassem à nova realidade. A Kurten Madeiras e Casas Pré-fabricadas foi uma das empresas que mudaram o estilo. Ela foi obrigada a reformular toda a sua linha de produçao para atender a exigência de mercado. Ao invés de manter o padrao das casas para a classe média, a empresa passou a fazer kits modulares para pessoas que ganham o salário mínimo ou pouco mais que isso.
A mudança da Kurten, iniciada em julho do ano passado, foi fundamental para a empresa retomar o crescimento, que estava ameaçado por causa da estagnaçao do mercado. ‘‘A classe média se endividou e nao comprava mais nada’’, afirma o diretor-presidente da Kurten, Waldemir Kurten. Ele conta que a empresa vendida a média de 35 a 40 casas por mês, no período antes do Plano Real. Após a estabilidade, as vendas caíram para cinco ou no máximo sete casas por mês.
Kurten admite que se nao mudasse o perfil da empresa teria problemas para continuar com o negócio. A Kurten chegou a perder todos os 12 representantes comerciais que vendiam as casas desde o Rio Grande do Sul até a Bahia. A soluçao encontrada pelo empresário foi tentar descobrir quem estava com dinheiro para gastar. Depois de uma pesquisa de mercado, ele chegou a conclusao que as classes sociais mais baixas conseguiram ter um ganho salarial, ao contrário da classe média que arcou com parte do ônus da estabilidade.
Das casas de primeira linha, feitas com madeiras nobres como ipê, grápia e itaúba, a Kurten passou a fabricar casas de pinus illiotis. A mudança na linha foi total. As casas para a classe média têm tamanho superior a 100 metros quadrados, com três ou quatro quartos. ‘‘Elas sao o sonho da classe média’’, propagandeia Kurten.
Quarto-salaAo contrário das casas para a classe média, a unidade básica popular tem 12 metros quadrados e é dividida em apenas dois cômodos (quarto e sala). Com o módulo inicial é possível ampliá-lo aos poucos com a compra do kit para banheiro ou quartos.
Mas o preço também é proporcional ao tamanho da casa. O kit básico custa R$ 300 à vista. Se o comprador for parcelar, ele vai pagar uma entrada e mais 25 parcelas fixas de R$ 35. O problema do parcelamento é a taxa de juro embutida de 7%. ‘‘O juro é bastante elevado’’, admite o dono da empresa. Mesmo assim, ele garante que tem um índice zero de compradores que nao pagam as prestaçoes. Segundo Kurten, o índice de inadimplência girava em torno de 10% quando ele vendia casas para a classe média.
Com as casas populares, a Kurten espera recuperar o faturamento que tinha antes do Plano Real, que hoje representa 60% do total conseguido em 1994. O diretor-presidente da empresa nao revela o quanto fatura, mas ele conta que a produçao está no limite. A Kurten fabrica e vende 200 unidades por mês dos kits populares. Quanto às casas maiores, a venda nao ultrapassa sete unidades mensais.

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