São Paulo A correção da tabela de Imposto de Renda (IR) para pessoas físicas deve elevar em 23% a carga tributária da classe média, segundo o Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT). Na semana passada, o governo informou que para corrigir a tabela teria de ''mexer no andar de cima''. Para o IBPT, isso significa reduzir as deduções de quem ganha mais.
''O governo não perde nada com a correção da faixa de isento (até R$ 1.058) da tabela de IR, pois quem arca com a maior parte do imposto recolhido é a classe média'', disse o presidente do IBPT, Gilberto Luiz do Amaral.
O IBPT considera como classe média os trabalhadores ou autônomos com renda mensal de R$ 3.000 a R$ 10.000. Essa faixa é responsável por 68% de todo IR pago no País. ''Quem ganha até R$ 3.000 paga 9% de todo IR e quem ganha acima de R$ 10.000, paga 23% do IR recolhido'', afirmou Amaral.
Estudo divulgado ontem pelo IBPT mostra que a limitação dos gastos a deduzir a 20% do imposto devido deve elevar o tributo a ser recolhido pela classe média.
Pelas regras atuais, o contribuinte pode deduzir anualmente da declaração de renda até R$ 1.998 dos gastos com educação e R$ 1.272 por dependente. Os gastos com sa© úde são ilimitados.
Amaral disse que a correção da tabela de IR vai reduzir em R$ 500 milhões a arrecadação da Receita. ''Essa redução será mais do que compensada com a limitação dos gastos a deduzir, que vão gerar uma arrecadação adicional de R$ 3,5 bilhões.''
Na semana passada, o secretário de Receita Federal, Jorge Rachid, admitiu que o governo estuda corrigir a tabela de IR, que está congelada desde 2002, quando foi atualizada em 17,5%.
Estima-se que entre os vários estudos do governo para a correção da tabela está a correção em 10% da faixa de isenção (salários até R$ 1.058). Esse estudo é o mais cotado para se transformar em medida provisória (MP). Com isso, a faixa de isenção subiria para R$ 1.164. No entanto, as demais faixas de R$ 1.164,01 a R$ 2.115 (15%) e acima de R$ 2.115 (27,5%) ficariam congeladas.
Segundo estudo da Receita Federal, apenas 6,6% dos contribuintes pagam Imposto de Renda no País. Desse total, 58% estão na alíquota de 15% e 42% na de 27,5%.

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