Uma das prioridades do governo Lula no primeiro mandato foi melhorar as condições de vida da população brasileira de baixa renda. Entre os diversos programas sociais, o que mais se destaca e o que mais gera polêmica é o Bolsa Família que garante um rendimento mínimo para milhões de famílias que estão na linha da miséria.
Houve erros e acertos, mas de um modo geral os números mostram que, conforme pesquisas da Fundação Getúlio Vargas e do LatinPanel, ligado ao Instituto Brasileiro de Opinião e Pesquisas (Ibope) houve uma grande ascensão social das classes D e E para a classe C. Isto pode ser considerado um grande avanço num país cheio de miseráveis.
Porém, se as classes menos favorecidas foram tratadas com carinho pelo governo, o mesmo não aconteceu com a classe média, que é, normalmente, quem paga a conta. Mesmo sendo menos de 10%
''A classe média é o marisco que está grudado na rocha. Está impossibilitada de subir para o continente e ainda fica levando lambada do mar'', diz o presidente do Sescap-Ldr, José Joaquim Ribeiro. Só para se ter uma idéia, nos últimos seis anos foram fechados cerca de 2 milhões de postos de trabalho que ofereciam rendimentos acima de três salários mínimos (R$ 1.050,00).
Outro dado que assusta é que a renda das famílias de classe média caiu 46% nos últimos seis anos. Mesmo sendo uma parcela pequena da população brasileira, cerca de 10%, ela sozinha é responsável por 60% de todo o volume arrecadado pelo Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF). Além de não ter mais o mesmo rendimento, tampouco poder de compra, a classe média, segundo o presidente do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT), Gilberto Luiz do Amaral, é a que mais paga impostos no Brasil
Recentemente o economista e articulista Stephan Kanitz escreveu que ''no Brasil ninguém defende a classe média, muito menos seus valores e sua postura política. Os ricos são naturalmente de direita, são conservadores, querem manter o status quo. A classe média não é de direita nem de esquerda. É de centro e liberal. São os profissionais liberais por excelência, que acreditam na autonomia, na responsabilidade pessoal e social, na poupança para a velhice, nos valores familiares, no imposto sobre herança. Mas o liberalismo é a ideologia mais atacada no Brasil, pela direita e pela esquerda. A direita vê na classe média uma ameaça, a esquerda vê nela a burguesia a ser destruída'', analisa Kanitz.
Segundo José Ribeiro o fato é que a classe média quase não tem representação política. ''Os ricos financiam as campanhas, então os políticos não mexem com eles. As classes C, D e E representam a maioria dos votos e aí os políticos temem fazer qualquer coisa que seja contrária aos interesses delas. Já a classe média não tem a mesma representação'', afirma Ribeiro.
Segundo ele isso é um absurdo já que é este segmento da população o responsável por 80% dos empregos gerados no país e que só não faz mais porque o governo não deixa, ''Os encargos na folha de pagamento são altíssimos. Representam praticamente 100% do valor pago de salário ao funcionário. Outro problema é que a economia está estagnada há vários anos. Em 2005 o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 3,2% e este ano o próprio governo já admitiu que a economia terá, novamente, um desempenho pífio, e não deve chegar a 2,85%. E quem sofre com isso é a classe média que é sempre chamada a pagar a conta social do governo'', diz Ribeiro.
O presidente do Sescap-Ldr afirma que o governo, seja ele federal, estadual ou municipal, precisa dar mais atenção para a classe média. ''E a melhor forma de mudar a situação é melhorando a economia. O governo é o indutor da economia. É ele que cria situações para que a economia acelere seu desempenho que, por sua vez, acaba beneficiando a classe média. Vejamos o caso de Londrina. Há quanto tempo a cidade não é vendida de forma positiva? Quantas empresas de porte se instalaram na cidade nos últimos anos? O que vemos aqui é a proliferação de camelódromos que apenas criam empregos informais melhorando em quase nada a economia da cidade'', afirma Ribeiro.
Fonte: Sindicato das Empresas de Consultoria, Assessoria, Perícias e Contabilidade de Londrina (Sescap-Ldr)

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