Classe média encolhe em todo o País
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quarta-feira, 18 de agosto de 2004
Paula Puliti<br> Agência Estado 
São Paulo - O baixo crescimento econômico no período 1981-2002 teve forte impacto sobre a classe média da Grande São Paulo. O estudo ''Brasil: estagnação e crise'', realizado pelo professor Waldir Quadros, do Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), mostra que a camada social formada por pessoas com rendimento acima de R$ 2,5 mil caiu de 28,39% dos moradores da Grande São Paulo em 1981 para 21% em 2002. Ainda mais dramático foi o aumento dos miseráveis (rendimento familiar inferior a R$ 500). Em 1981, eram 8,59% da população da Grande São Paulo. Em 2002, 19,66%. O estudo, no entanto, mostra que o encolhimento da classe média ocorreu de forma generalizada no Brasil. Ela correspondia a 42,5% da população em 1981 e caiu para 36% em 2002.
''A raiz dessa deterioração social está na estagnação econômica e no desemprego. Em São Paulo, particularmente, o cenário reflete a crise industrial na região mais industrializada do Brasil'', explicou Quadros. ''Nos anos 80, houve estagnação do emprego. Mas foi nos anos 90 que o desemprego explodiu no País'', afirmou o professor. No mesmo período, o porcentual de miseráveis cresceu de 30,48% para 35,93% no País.
Na avaliação de Quadros, a deterioração social não vai acabar se não houver crescimento sustentado, como no período de 1930 a 1980. ''Nesse período, o crescimento brasileiro praticamente não tem similar no mundo'', afirmou. Para sair da estagnação, porém, o Brasil precisa de financiamento para investir. ''O que temos disponível para financiar investimentos é muito inferior ao tamanho da nossa economia. Precisamos de crédito de longo prazo, juros menores, enfim, de um projeto nacional que ainda não existe. Os bancos comerciais precisam se envolver mais nos financiamentos'', disse.
Quadros descartou a possibilidade de que o desemprego, principal fator da deterioração, tenha sido provocado pelos avanços tecnológicos e a automatização industrial. Ele argumenta que, quando há crescimento econômico, perde-se uma vaga em um lugar, mas existe reposição em outros setores da economia.
Escolaridade - O desemprego aumenta mais rapidamente nos segmentos mais escolarizados da sociedade, mostra o estudo. Entre os desempregados na faixa de rendimentos acima de R$ 5 mil, aqueles com terceiro grau completo representavam 41,66% em 1981, nível que subiu para 72,06% em 2002. Mas, na mesma faixa de renda, os desempregados com segundo grau completo eram 36,01% do total em 1981, contra 21,18% em 2002.
Entre os desempregados na faixa de renda de R$ 2,5 mil a R$ 5 mil, 18,21% tinham o terceiro grau completo em 1981, porcentual que subiu para 37,50% em 2002. Os desempregados com segundo grau eram 35,26% em 1981 e passaram a representar 47,84% em 2002. Com base nesses dados, segundo o professor da Unicamp, é possível afirmar que a população está buscando qualificação, mas não encontra um emprego correspondente.
Outro dado do estudo mostra que a renda real dos que têm terceiro grau completo caiu 24%. Entre aqueles com segundo grau, a queda na renda real foi maior, de 36,1%. O rendimento entre a população economicamente ativa apenas com o primeiro grau recuou 18,5% entre 1981 e 2002.


