Classe média corta alguns luxos
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quarta-feira, 27 de agosto de 2008
Cláudia Palaci<br>Equipe da Folha 
A casa dos Alves é composta por cinco pessoas, sendo três crianças. A mãe - a artista plástica Michelle Schoch Alves -, divide o tempo entre a educação e alimentação dos filhos e o trabalho. Para economizar tempo, frequentava três vezes na semana os restaurantes próximos à residência. A alta no preço dos alimentos refletida no valor dos pratos, tornou a alternativa inviável. Ela e o marido, o corretor de seguros Cícero Pietro Alves, optaram em cortar alguns luxos após verificarem que as contas estavam indo além do controle. O item alimentação representa 25% dos gastos da família classificada como classe média.
Com três filhos, sendo um bebê, Michelle sabe que produtos como leite, carne, verduras e legumes não podem faltar à mesa. A alternativa foi visitar com mais frequência os supermercados atrás de promoções e experimentar novas marcas. Sem restaurantes e comprando produtos mais baratos, o casal tem mantido a qualidade e a fartura durante as refeições. ''Comer bem e corretamente é básico ainda mais com as crianças. Alimentos, saúde e educação são as nossas prioridades, o resto vai se levando'', declara Michelle.
A família driblou a inflação com alguns truques. A carne, que chegou a aumentar 20% nos mercados, aparece menos nos pratos, substituída pelo frango, e cortes mais baratos. Picanha só de vez em quando. O queijo está presente só como parte da refeição. A tábua recheada com vários tipos para degustação é um prazer de outros tempos. As compras no Mercado Municipal são raras. Artigos vendidos no local como frutas secas, acepipes e guloseimas nem entram mais na lista de compras e foram substituídos por frutas da época e produtos de consumo diário. O suco de soja de caixinha do bebê deu lugar ao sucos naturais. Os produtos de limpeza e higiene também foram alvos de adequações. ''Ao trocar marcas, o consumidor deve manter o foco na qualidade. A necessidade de experimentar novas marcas, abre o leque de opções e pode-se ter boas surpresas'', indica Michelle.
O custo dos alimentos é monitorado pela família há dois anos, quando Alves recorreu à planilha para controlar e dimensionar os gastos. O objetivo era descobrir onde o dinheiro era gasto e até que ponto certas despesas eram necessários. O mapeamento apontou a comida como a vilã da economia doméstica. Gradativamente os supérfluos foram eliminados. Segundo ele, há tempos de deslizes, conforme os preços dos produtos. ''A classe média é muito emocional. Quando a coisa aperta, fala-se em planejamento, cortes de gastos, medidas extremas. Depois a tendência é relaxar. Estamos em uma categoria que sofre muito com as variações na economia porque temos um poder de compra volátil'', analisa.


