Curitiba - A classe média brasileira gastou R$ 975 bilhões em 2011. Caso esta camada da população fosse um país, seria o 18º mercado consumidor do mundo, ou seja, estaria no G-20. As afirmações são da gerente de Projetos da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República (SAE), Alessandra Nini, que estava ontem no 4º Fórum do Banco Central de Inclusão Financeira, que acontece em Porto Alegre.
Os dados fazem parte do estudo da SAE chamado ''Vozes da Classe Média''. De acordo com o levantamento, a classe média é formada por famílias que possuem renda per capita entre R$ 291 e R$ 1.019. Segundo Alessandra, esta classe média dependeu da renda do trabalho para ascender. A renda deste grupo é 2,5 vezes mais alta que a da classe baixa, mas quatro vezes menor do que a da classe alta.
Alessandra reforçou que essa parcela da população ainda faz pouco uso do sistema financeiro, já que 77% pagam despesas em dinheiro. ''Quanto ao endividamento, 28% da população da classe média tem dificuldade de honrar dívidas, proporção que cai para 19% na classe alta'', afirmou.
De acordo com o BC, cerca de 40 milhões de pessoas ingressaram nesse segmento da população nos últimos dez anos. O reitor da Universidade Positivo e economista, José Pio Martins, disse que os principais motivos que levaram ao crescimento da classe média no Brasil foram a ausência da inflação em relação ao poder de compra nos últimos anos, o aumento da população, a elevação do nível de emprego e a redução do desemprego. Também contribuíram o crédito abundante para o consumidor e a redução da taxa de juros. O aumento do Produto Interno (PIB) nos últimos anos também foi um fator relevante.
Ele acredita em crescimento da classe média nos próximos anos já que o Brasil continua aumentando a população e a previsão é que o PIB comece um processo de retomada a partir de 2013. ''O PIB vai crescer mais que a população em 2013. Com isso, a renda média melhora e isso reflete no poder de compra'', destacou.
''Sem sombra de dúvida, a classe média vai continuar crescendo em 2013'', comentou o economista chefe da Inva Capital, Lucas Dezordi. No entanto, ele prevê que o crescimento da classe média vai ser menor do que no período de 2004 a 2011, quando a economia brasileira tinha condições macroeconômicas mais favoráveis. Ele lembrou que, naquele período, o crédito era baixo e escasso e tinha espaço para crescer. Além disso, havia menos endividamento e ocorreram aumentos melhores do salário mínimo.
Dezordi lembrou que entre 2006 e 2009, o crédito chegou a crescer 50% ao ano e, hoje, tem espaço para crescer de 10% a 15% ao ano. ''A classe média vai continuar crescendo, mas um pouco menos. Os consumidores terão primeiro que pagar as suas dívidas'', declarou. Segundo ele, um ponto chave é não deixar a inadimplência subir mais, já que na crise americana foi exatamente isso que ocorreu. (Com Agência Estado)

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