Classe D gasta mais que a B em vários segmentos
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segunda-feira, 11 de junho de 2012
Victor Lopes <br> <br> Reportagem Local 
A classe D está gastando mais do que a classe B em diversas categorias de consumo. É o que aponta uma pesquisa realizada pelo Data Popular, a partir de dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgada ontem. De acordo com o levantamento, os brasileiros que possuem renda domiciliar média de R$ 952 consumiram no ano passado R$ 363,3 bilhões, com gastos superiores aos da classe B (renda de R$ 6.275) em oito segmentos, como eletrodomésticos, alimentação no lar, bebidas, móveis, higiene e beleza, medicamentos, entre outros.
Como apontou a pesquisa, o montante tem valor aproximado ao Produto Interno Bruto (PIB) do Chile ou a soma dos PIBs de outros seis países da América do Sul e Central: Equador, Uruguai, Paraguai, Bolívia, Panamá e Guatemala. O Sul do País responde por 14,1% do gastos, com valor de R$ 51,2 bilhões. A região em que a classe D tem maior poder de compra é o Sudeste (41,8%), seguido do Nordeste (29,4%).
A menor força da classe D no Sul do País tem justificativa. Segundo o Data Popular, as dez cidades com menor percentual de domicílios nesta classe são localizadas no Rio Grande do Sul e Santa Catarina, com percentual médio de 3,46%. Já nos estados do Norte e Nordeste estão listadas os dez municípios com maior percentual da classe D, com média de 60%. ''As pessoas geralmente acreditam que a classe C é mais predominante no Nordeste, mas ela está mais concentrada na região Sul. No Norte e Nordeste, a classe predominante é a D'', comentou Renato Meirelles, sócio diretor do Data Popular.
Quem consome o quê?
Dentre as categorias de consumo, a que possui maior volume é a de alimentação no lar. São R$ 66,8 bilhões consumidos pela classe D frente a R$ 37,9 bilhões da classe B, uma diferença de 76,3%. Já os eletrodomésticos e eletroeletrônicos têm diferença de 25,3%: R$ 10,9 bilhões contra R$ 8,7 bilhões, respectivamente. ''Acreditamos que a classe D tem tudo para ser a nova Classe C'', decretou Meirelles.
Numa projeção realizada pelo Data Popular, a expectativa é que a Classe C cresça quase 5% até 2014, atingindo o total de 58,3% da população brasileira. Já a classe D diminuirá de 31,1% para 26,8% no mesmo período, indicando uma transição entre as classes. Já o crescimento da classe B é bem inferior: 8% para 8,7% nos próximos dois anos.
Crédito
O diretor comercial da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil) e diretor financeiro do Móveis Brasília, Marcelo Ontivero, comentou que o aumento da oferta de crédito é notável, inclusive com facilidade para o parcelamento de produtos, o que dá força para a classe D. Ele disse que em sua rede existe uma análise de crédito mais no ''olho a olho com o cliente'' do que puxando o histórico do consumidor. ''É claro que é feita toda uma análise. Mas, para não perder a venda, conversamos com o cliente. Às vezes ele tem uma renda extra aqui, outro trabalho ali, o que garante o fechamento da venda. No que diz respeito aos eletroeletrônicos, os televisores são um dos principais sonhos de consumo da classe D'', complementou Ontivero.



