Classe C quer usar grife
PUBLICAÇÃO
domingo, 02 de setembro de 2012
Victor Lopes <br> <br> Reportagem Local 
Estar na moda e vestir roupas de grifes internacionais - muitas vezes de alto valor agregado - definitivamente não é mais exclusividade para quem está no topo de pirâmide social. Um pesquisa realizada pelo Instituto Data Popular aponta que os gastos da classe C com moda cresceram 153,2% na última década, descontada a inflação. Em 2002, este nicho da população gastou em torno de R$ 22 bilhões para se vestir bem. Este ano, até agora o número já atingiu R$ 55,7 bilhões. As classes A e B vêm logo na sequência, com R$ 45,5 bilhões em consumo.
A região Sudeste continua sendo a principal responsável pelo montante, com R$ 26,5 bilhões e 48% do total. O Nordeste está logo na sequência, com R$ 10,7 bilhões (19%), seguido do Sul (R$ 9,9 bilhões - 18%), Centro-oeste (R$ 4,4 bilhões - 7,9%) e Norte, com R$ 4,2 bilhões e 7,5% do total. Para o sócio-diretor do Data Popular, Renato Meirelles, o número mais impactante da pesquisa é o relacionado à região Nordeste do País, que acabou superando a região Sul no consumo de moda. ''A classe C ainda é minoria no nordeste comparada à D. Foram estes consumidores que ascenderam de classe os responsáveis pelo crescimento expressivo'', salienta ele. ''Um mundo de possibilidades se abriu para esta parcela da população. Eles estão comprando muito, e querem mais'', completa Meirelles.
Outro dado significativo é que 52,1% dos entrevistados da classe C consideram importante ''estar na moda'', uma diferença muito pequena em relação aos das classes A e B, com 56%. Entre os consumidores da classe média que buscam seguir as tendências do mercado do vestuário, 58,6% disseram que gostam de usar roupas de grife pois acreditam que ''duram mais'', são ''mais bonitas'' e se ''sentem melhor quando vestem uma roupa de marca'' .
Para o representante do Data Popular, esta tendência da classe C buscar este tipo de produto deve permanecer nos próximos anos. Meirelles relembra pesquisas anteriores da entidade, que apontam que a classe E deve se extinguir no País até 2014. ''São milhões de brasileiros que passarão de uma classe isenta de consumo para a classe D, que conta com uma legião de bons compradores. Isso vai impactar todos os setores, inclusive o da moda. O brasileiro percebeu que precisa estar bem vestido para alavancar a sua carreira''.
Em relação aos empresários do setor que estão lidando com estes consumidores, o Data Popular acredita que eles já sentem o impacto nas vendas, mas precisam tomar certas medidas para potencializar ainda mais o comércio. ''Eles estão engatinhando no sentido de se preparar para receber e fidelizar as pessoas incluídas neste nicho de mercado.''



