Classe C engorda balanço de empresas
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domingo, 04 de novembro de 2007
Patrícia Cançadoe Marianna Aragão<br>Agência Estado 
São Paulo - Há alguns dias, o presidente do Wal-Mart Brasil, Vicente Trius, foi o único executivo da operação internacional convidado a falar para uma platéia de investidores da maior cadeia de varejo do mundo. Ele revelou ao público que as vendas da filial só saltaram de R$ 1,7 bilhão para R$ 12,9 bilhões em cinco anos graças às compras de um novo público, classificado por ele como a extensão da classe média. Em outras palavras, a classe C. Em outubro, o Brasil despertou interesse de outro americano: Tom Falk, presidente mundial da Kimberly-Clark, fabricante das fraldas Turma da Mônica. Ele veio ao Brasil para conhecer de perto o mercado emergente que mais cresce dentro da companhia. Ele gera receitas de US$ 1 bilhão (ou 11% do total global), cinco vezes mais que há cinco anos.
Os relatos acima não são fatos isolados. O Brasil, que há uma década sequer era mencionado nos balanços das multinacionais de consumo, nunca ganhou tanto destaque como agora nas planilhas dessas empresas. O País já é o quinto mais procurado por múltis para investimentos, segundo estudo da Organização das Nações Unidas (ONU) divulgado no começo de outubro. É fato que a valorização do real ajudou a engordar os números das filiais, mas isso não explica tudo. Há dezenas de milhões de brasileiros, sedentos por consumir itens básicos, subindo na pirâmide social, tomando empréstimo fácil e fazendo a festa das empresas.
Não que o povo tenha enriquecido da noite para o dia. É que numa população volumosa como a do Brasil, qualquer melhora na renda aumenta sensivelmente o consumo. Um estudo recente da consultoria americana Euromonitor sobre o crescimento do apetite da nova classe média brasileira revela que 7,5% das famílias terão renda anual acima de R$ 30 mil até 2015. É menos que na Argentina (13,7%), Venezuela (16,7%) e Chile (33,1%). ''Mas, em virtude da idade e do tamanho da sua população, o Brasil aparece como um dos mercados de consumo mais atrativos do mundo, diz o analista sênior da Euromonitor, Marcel Motta.
Apesar dos problemas crônicos - uma combinação de corrupção, burocracia e impostos altos com infra-estrutura e educação deficientes - , o Brasil virou uma mercado obrigatório. Em poucos lugares do mundo, a Kimberly Clark vê as vendas de fraldas populares crescerem 20% em um ano. E o potencial é promissor: metade dos bebês nunca usaram uma. ''Na Kimberly, a gente leva a sério a sigla BRIC (termo usado para designar Brasil, Rússia, Índia e China)'', diz o diretor de cuidados pessoais, Eduardo Aron. A filial já responde pelo quinto maior faturamento da companhia.
''As multinacionais têm enfrentado saturação de muitas categorias nos seus territórios de origem. Por causa disso, elas passaram a olhar para os mercados emergentes, no geral, e para o Brasil, em particular, como uma importante fonte de crescimento das receitas e dos lucros'', diz Motta.


