O Wal-Mart Brasil está de olho nos consumidores da classe C, cujo poder de compra está em constante crescimento. Para tanto, tem apostado na instalação de lojas do Maxxi, bandeira atacadista do grupo. Uma das unidades será inaugurada em novembro, em Londrina, na avenida Saul Elkind, Zona Norte, e vai seguir o mesmo padrão dos outros 15 supermercados da marca espalhados pelo Brasil: loja de auto-serviço e venda de produtos em embalagens de grande quantidade com preços diferenciados do varejo. Pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), a renda da classe média, também denominada C, varia de R$ 1.064 a R$ 4.591 e responde por 52% da população.
  ‘‘Há uma supremacia da classe C, um consumidor cada vez mais forte. Uma mudança econômica que acontece no Brasil como um todo e que favorece, e muito, a proposta do Maxxi, de ter uma grande variedade de produtos a preços bem atraentes’’, enfatiza Marcelo Vienna, vice-presidente da divisão de atacado do Maxxi.
  Para enfrentar a concorrência local – em Londrina existem outras duas marcas que atuam no segmento atacadista –, Vienna frisa que o Maxxi deverá manter preços em torno de 5% mais baixos do que o atacado e até 15% do que os supermercados varejistas. O grupo vai investir em fornecedores e marcas locais, comentou o executivo. Além disso, os valores mais baixos serão baseados na prática da rede, que realiza pesquisa diária de preço.
  Atualmente, conforme Luiz Martinelli, vice-presidente do Maxxi, a marca atacadista do Wal-Mart tem atendido pessoas físicas e jurídicas, que somam 70% dos clientes, formados basicamente por pequenos comerciantes, que têm restaurantes, pizzarias, mercadinhos ou que trabalham na rua vendendo cachorro-quente, por exemplo. ‘‘O interessante desse público é que a compra geralmente, em torno de 70%, é paga à vista. Esses clientes ‘trabalham’ muito com dinheiro (em espécie), ganham na hora do almoço e vão comprar na janta’’, brinca Martinelli, reforçando que as compras com cheque ou cartão de crédito são muito pequenas.
  Esse público da classe média é tão interessante, que a previsão do grupo é fechar o ano com a inauguração de 10 lojas da bandeira Maxxi. Além de duas unidades em Salvador (BA), recém-inauguradas, está prevista as lojas de Londrina, Diadema (SP), Campo Grande (MS), Fortaleza (CE), além de mais uma na Bahia.
  Somente este ano, o Wal-Mart já investiu R$ 1,2 bilhão na instalação e reformas de lojas de diversas bandeiras do grupo e a previsão para o próximo ano é que o investimento alcance R$ 1,8 bilhão. A expectativa é inaugurar 90 lojas, sendo 10 apenas do Maxxi Atacado. E, nem mesmo a crise financeira que começou no Estados Unidos e tem tido reflexo em todo o mundo deve atrapalhar os planos da empresa. Vienna afirmou que, por enquanto, todos os projetos continuam firmes para 2009, principalmente aqueles voltados para a classe C.

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