Classe C começa a descobrir o exterior
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sábado, 14 de junho de 2008
Vera Dantas<br>Agência Estado 
São Paulo - O tango e a neve, além do forró e das praias nordestinas, já começam a fazer parte dos planos de viagem da classe C. O dólar cada vez mais barato para o bolso do brasileiro, somado às ofertas do parcelamento atrai uma nova camada da população para as viagens internacionais. São turistas que muitas vezes conhecem os destinos populares do Nordeste, como Porto Seguro, na Bahia, e algumas capitais, mas nunca imaginaram ir para o exterior.
Há oito anos, quando abriu sua agência de viagens, a Novatur, no Jardim São Luís, região de Santo Amaro, Mario Oliveira Luiz se empenhava em convencer clientes que só andavam de ônibus que era possível parcelar uma passagem aérea para o Nordeste. Hoje procuro mostrar que com US$ 500 (cerca de R$ 860 pelo dólar turismo), dá para viajar para a Argentina.
Os shows de tango, as compras na calle Florida e a neve de Bariloche, embrulhados em pacotes de três dias a uma semana, parcelados geralmente em até dez vezes, fazem sucesso entre quem está deixando o País pela primeira vez. Buenos Aires costuma ser o destino de estréia de quem nunca foi para o exterior, como era o Paraguai anos atrás, compara o presidente da CVC, Guilherme Paulus. Já outros roteiros para a Disney ou Europa estão mais para o bolso do público A e B. Os países europeus, principalmente por causa do euro, são caros.
Para dar a medida de quanto cresceu a procura de pacotes para a capital da Argentina, ele explica que no ano passado trabalhava com vôos fretados duas vezes por semana e este ano está com saídas diárias para Buenos Aires. Tenho cerca de 500 passageiros por dia em Buenos Aires. Em 2007, eram de 250 a 300 em momentos de pico, compara Paulus. Ele acredita que boa parte desse movimento está sendo incrementado pela classe C, que começa perceber que é possível fazer turismo fora do Brasil.
O aumento do volume de cheques para financiamento de viagens este ano é o que chamou a atenção do assessor comercial Daniel Gil, da Fenix, especializada em viagens para a América do Sul. O parcelamento em até dez vezes pode ser acertado nas agências que operam com a Fenix em cartão de crédito ou cheque. Mas o fato de ter aumentado o uso do cheque nos pagamentos indica que o consumidor da classe C está comprando mais pacotes, porque eles não têm limite suficiente para pagar com cartão. Por isso, usam cheque pré-datado.
Os brasileiros gastaram nos quatro primeiros meses do ano US$ 3,4 bilhões em viagens ao exterior, um crescimento de 61,5% ante igual período de 2007. É um volume recorde, segundo informações do Banco Central (BC). Os números da Associação Brasileira de Agências de Viagens (Abav) revelam no primeiro quadrimestre do ano um crescimento de 20% nas vendas de pacotes internacionais e de 15% nos roteiros nacionais na comparação com a mesma época no ano anterior.


