Claspar encontra soja transgênica em Paranaguá
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 28 de outubro de 2003
Rodrigo Sais<br> Equipe da Folha 
Curitiba Um teste realizado ontem pela Empresa Paranaense de Classificação dos Produtos (Claspar) constatou a presença de soja transgênica no Porto de Paranaguá. A coleta foi realizada em um estoque de 1,03 toneladas de grãos de soja no terminal da Administración Nacional de Navegación y Puertos (ANNP), o interposto do governo paraguaio no porto. Além do terminal na ANNP, um terminal da Cargill e um terminal público ainda mantêm estoques de soja que não foram embarcados após a última safra. Os outros terminais também passarão por vistorias da Claspar.
O governo estadual já suspeitava da existência de soja geneticamente modificada no porto. Na segunda-feira, o superintendente da Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (APPA), Eduardo Requião, afirmou que teria recebido denúncias de que empresas multinacionais estariam tentando infiltrar soja transgênica no porto para contaminar o estoque de soja tradicional.
A existência de soja transgênica no terminal da ANNP não chega a ser uma surpresa. A carga veio direto do Paraguai antes da sanção da lei estadual que proíbe a exportação de soja geneticamente modificada pelo Porto de Paranaguá. Como o Paraguai não possui legislação semelhante à paranaense restringindo a exportação de transgênicos, o governo já esperava o resultado positivo para o teste da Claspar.
Os desdobramentos da confirmação do estoque de soja transgênica no silo paraguaio, porém, podem ser mais surpreendentes. Os governos paraguaio e brasileiro assinaram um acordo em 1957 que prevê que o Paraguai pode escoar sua produção através do Porto de Paranaguá, o que faz com que o terminal da ANNP seja na prática um território paraguaio no Brasil. Entretanto, o superintendente da APPA já afirmou que não permitirá a transferência da soja dos silos da ANNP para os navios que deixam o porto.
De acordo com Eduardo Requião, o embarque da soja poderia contaminar a soja tradicional que é exportada por Paranaguá. ''A ANNP não possui shiploaders (equipamentos usados para carregar navios) próprios. Se utilizarmos as mesmas esteiras para o embarque da soja de outros silos, fatalmente haverá contaminação da carga'', afirmou. De acordo com os técnicos da Claspar, os testes realizados conseguem detectar a presença de um grão de soja transgênica em um lote com mil grãos. A reportagem tentou entrar em contato com representantes da ADM, empresa que administra o terminal paraguaio, mas ninguém quis se pronunciar sobre o assunto.


