Faltando poucos meses para entrar em vigor a lei que define a destinação das embalagens de agrotóxicos, produtores da região de Campo Mourão, uma das principais consumidoras do Estado, ainda não sabem o que fazer com as ‘‘sobras’’ dos venenos usados durante a safra. A maioria vende para compradores clandestinos ou queima as embalagens, uma vez que, em pouco tempo, elas enchem os galpões reservados para o armazenamento.
‘‘Essas duas destinações são proibidas’’, disse ontem o chefe do escritório regional do IAP em Campo Mourão, Paulo Benedito Tanahaki. A convite da ‘‘Folha’’, ele e o chefe do escritório regional da Secretaria de Estado da Agricultura (Seab), Silvestre Dimas Staniszewski, percorreram algumas propriedades de Campo Mourão ontem pela manhã. Nenhuma delas tinha embalagens suficientes para dizer que o produto vinha sendo guardado há vários anos.
Segundo Staniszewski, 90% dos produtores da região fazem a tríplice lavagem, mas reclamam da falta de destinação do produto. ‘‘É a maior reclamação que nossos técnicos recebem nas visitas de campo’’, conta. Tanahaki, do IAP, diz que a existência de compradores clandestinos de embalagens já foi maior e caiu com a intensificação da fiscalização por parte do órgão. Os produtores afirmam desconhecer as proibições.
‘‘Não sabia que era proibido’’, disse ontem Adelino Babugia, administrador de uma fazenda nas proximidades de Campo Mourão, que contou já ter vendido embalagens. Ele diz que a cada fim de safra o galpão usado para armazenar as embalagens após a tríplice lavagem fica lotado. ‘‘Em dois anos, não teria onde colocar tudo’’, conta. Valdir Alves, de outra propriedade, disse que costuma queimar as embalagens. ‘‘Não pode, é?’’, perguntou, assustado.
O agricultor Milton Munhoz, tido como produtor modelo na região, diz que vem armazenando todas as embalagens num galpão enquanto espera uma definição sobre o assunto. ‘‘Estou esperando para ver quem vai pegar isso’’, ressaltou. Munhoz acha que os fabricantes deveriam produzir mais agrotóxicos com embalagens hidrossolúveis. Ele reclama que as embalagens tradicionais geram um volume muito grande e dão trabalho aos produtores.
‘‘As embalagens ficam no galpão, mas vão se avolumando e começam a incomodar a gente’’, disse Paulo César Tonet. Ele também revelou que já vendeu embalagens para compradores que aparecem na propriedade. O agrônomo Valdomiro Bognar, da Cooperativa Mista Agropecuária do Brasil (Coopermibra), conta que, em geral, o produtor ‘‘praticamente doa’’ as embalagens para donos de ferros-velhos só para se ver livre do lixo.
Bognar disse que a cooperativa não sabe como vai funcionar, na prática, a lei que obriga a devolução das embalagens de agrotóxicos. ‘‘Precisamos analisar como será feita essa devolução e se será preciso definir uma área para o armazenamento das embalagens até o retorno para o fabricante’’, disse.
O chefe do IAP em Campo Mourão disse que o município deve ganhar no segundo semestre uma unidade de recebimento de embalagens do programa Terra Limpa. A unidade é vai atender 14 municípios.

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