A Clac (Cooperativa de Laticínios e Curitiba) quer alongar sua dívida de R$ 5,5 milhões, ao mesmo tempo que vai adotar ampla reestruturação que inclui a venda ou locação de ativos e bens imóveis, cuja arrecadação será aplicada para reduzir os débitos. Essa decisão é a linha mestra do projeto do Recoop (Programa de Revitalização das Cooperativas). A proposta foi aprovada por 576 dos 1.100 associados. A Clac não prevê investimentos no projeto do Recoop.
O processo de negociação com os bancos credores vai iniciar após análise da comissão da OCB (Organização das Cooperativas Brasileiras). Conforme prevê o Recoop, o alongamento da dívida será por 15 anos, com dois anos de carência e juros de aproximadamente 7,5% ao ano, levando em consideração a média da variação do Indice Geral de Preços (IGPDI) mais juros de 4%. Do total da dívida, R$ 4,3 milhões foram contraídos juntos aos bancos, R$ 733.375,19 são débitos fiscais e R$ 536.665,20 são dívidas com produtores.
Além do alongamento da dívida, o projeto aprovado em assembléia prevê a capitalização da cooperativa, com a retenção de 3% sobre a produção entregue. A chamada de capital, mais a redução dos juros que serão pagos no financiamento do débito e o aumento de produtividade do leite - que deverá resultar em função de maior assistência técnica ao produtor - foram calculados como ítens de equacionamento da dívida. Com a venda ou locação de bens imóveis como a sede da cooperativa e a fábrica de ração em São José dos Pinhais, o presidente da Clac, Fernando Augusto Almeida, prevê a quitação total dos débitos em 11 anos.
O projeto de reestruturação prevê ainda a racionalização dos serviços, sendo que a cooperativa deverá se concentrar na assistência ao produtor. Atualmente o custo de produção de leite dos associados da Clac está avaliado em média em R$ 0,23 o litro e a meta é reduzir esse custo, já que na ponta do varejo a competição acirrada inviabiliza qualquer reajuste de preço, explicou Almeida.
A dívida da Clac foi contraída nos últimos três anos, em função das dificuldades do mercado de leite ao mesmo tempo que a cooperativa fez investimentos próprios junto com a Witmarsum para formar a Centralpar, na Cidade Industrial em Curitiba. A Central vai industrializar a produção das duas cooperativas que investiram R$ 10 milhões, sendo R$ 5 milhões de cada uma, informou Almeida.
A Centralpar deverá entrar em operação em dezembro e vai receber as produções de leite da Clac e Witmarsum. No total deverá envasar 5,5 milhões de litros/mês.
O prazo para entrega dos projetos do Recoop, que deveria vencer na segunda-feira, 30, foi adiado para 31 de janeiro. Muitas cooperativas dependem de realizar assembléias com o comparecimento de 50% do quadro social mais um e isso ainda não ocorreu.

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