A laranja também vem sendo apontada como uma cultura que pode trazer um bom retorno aos agricultores. Embora a produção não seja acompanhada pelo Departamento de Economia Rural, da Seab, a fruta está ganhando área plantada no Estado devido às instalações de fábricas que industrializam suco concentrado ou congelado. A Cooperativa Agropecuária de Maringá (Cocamar), por exemplo, já distribui no mercado interno o suco pronto. É importante lembrar que o mercado em expansão não é de comercialização da fruta in natura, mas do suco.
Neste ano, a previsão da Cocamar é processar 3,5 milhões de caixas da fruta. No entanto, até 2010, o planejamento é aumentar a produção para 10 milhões de sacas. O momento é favorável à cultura porque os estoques internacionais de suco estão baixos e ainda houve uma queda de produtividade dos pomares paulistas que são antigos (e, portanto, produzem menos) e que ainda foram atingidos por doenças. A Flórida (estado americano) é o maior produtor da fruta, seguido pelo Estado de São Paulo.
Nos Estados Unidos os citricultores estão desestimulados porque os pomares foram atingidos por furacões no último ano. Além disso, as árvores foram acometidas por doenças. ''Desde 2002 o preço está baixo, mas a partir do final do ano passado houve uma recuperação'', diz Rogério Magno Baggio, produtor de laranja. A cotação saltou de US$ 800 a tonelada de suco para US$ 1,5 mil. Aos poucos, o Paraná vem ganhando mercado com a instalação das indústrias processadoras: duas delas estão em Paranavaí.
No entanto, a cultura da laranja requer uso de muita tecnologia por causa da incidência de doenças. Quanto mais concentrado os pés forem plantados, maior a chance de proliferação de pragas. ''É uma alternativa importante para regiões onde o solo é arenito. Gera receita e empregos porque requer muita mão-de-obra'', afirma Baggio. A plantação também não deve ser concentrada em apenas uma variedade. O ideal é que os produtores trabalhem com quatro ou cinco tipos para que a produção seja escalonada.
A cultura não é indicada para pequenos produtores. O ideal é que a área tenha, no mínimo, 50 hectares. O preço mínimo da caixa é US$ 1,50, o que apenas cobre os custos de produção. No entanto, o lucro vem com a distribuição das sobras das cooperativas. ''Nunca aconteceu de não dar lucro nenhum, pode até ser pequeno, mas algum lucro sobra'', afirma o produtor. (F.M.)

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