Ciro Pneus vai à Justiça para reaver produto apreendido
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quinta-feira, 23 de outubro de 1997
Carmem Murara Curitiba 
O advogado da empresa Ciro Pneus, Johnson Sade, deverá ajuizar nos próximos dias um mandado de segurança na Justiça Federal para tentar recuperar a mercadoria que foi apreendida pela Receita Federal, nesta segunda-feira. Os técnicos da Re
ceita e policiais federais recolheram os pneus sob suspeita de que a loja estaria vendendo produto contrabandeado do Paraguai. Sade garantiu ontem que a empresa estava vendendo todos os pneus com notas fiscais regulares.
Uma análise inicial na documentação da Ciro Pneus, feita pelos fiscais da Receita, teria mostrado que parte da mercadoria não apresentava as notas e papéis exigidos pelo Fisco. A afirmação foi feita à Folha pelo chefe do Serviço de Controle Aduaneiro da Receita, Alberto Hiroshi Yamamoto. O advogado da Ciro Pneus contesta a declaração da Receita. A mercadoria foi comprada com nota fiscal emitida pelos fornecedores, garantiu.
Segundo o advogado, que foi contratado especialmente para defender a empresa neste processo, é necessário investigar os fornecedores e as demais empresas do setor para saber de onde vêm os pneus. Quem vendeu para a Ciro é que teria de responder pela origem da compra, afirmou. O advogado diz que a mercadoria apreendida tem comprovantes de entrega das empresas.
A Receita Federal e os policiais pegaram um lote de 3,1 mil pneus da marca Goodyear, que seriam destinados à exportação, mas que segundo suspeita dos fiscais, estavam sendo vendidos ilegalmente pela loja. Parte da mercadoria foi enviada para o depósito da Receita Federal, mas a maioria ficou nos galpões da Ciro Pneus. O dono da empresa, Cironi Cavagnoli, responde pelo estoque como fiel depositário, isto é, não pode mexer nos pneus até que terminem as investigações.
O advogado da empresa disse que os pneus não apresentavam qualquer marca que identificasse se eram ou não destinados à exportação. O chefe do Serviço de Controle Aduaneiro da Receita informou que os pneus trazem uma marca específica, informando que se destinam apenas à exportação.
Cavagnoli depôs anteontem na Polícia Federal. Ele foi convocado pelo delegado Eduardo Teixeira, que está à frente das investigações. Por enquanto, Teixeira está levantado os detalhes da operação para checar se cabe abertura de inquérito.


