Curitiba - A produção de vinhos no Brasil deve passar dos 400 milhões de litros em 2005 e tem crescido 15% ao ano. Para atingir resultados ainda melhores, o produto nacional ainda tem dois grandes adversários para derrotar: os vinhos estrangeiros e o preconceito, principalmente dos próprios consumidores brasileiros.
Os dados e as constatações são do Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin), que está realizando o 2º Circuito de Degustação de Vinhos do Brasil. O evento passou ontem por Curitiba, onde 17 vinícolas puderam expôr seus produtos. A programação do circuito inclui outras quatro capitais: Brasília, Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre.
Arnaldo Passarin, presidente do conselho deliberativo da Ibravin, explicou que o principal objetivo do evento é chamar a atenção dos consumidores brasileiros para o vinho que é produzido no País. ''Por muitos anos houve preconceito, o vinho brasileiro era considerado muito ácido. Hoje a produção é mais variada e o mercado tem crescido, mas alguns problemas persistem'', afirmou ele.
No Brasil, os vinhos nacionais enfrentam a concorrência dos produtos argentinos, que são mais baratos devido à tributação menor e à estrutura de produção empresarial do setor no país vizinho. Além disso, tanto no mercado brasileiro quanto no exterior, os vinhos argentinos e chilenos são considerados melhores por formadores de opinião.
''O vinho produzido no Brasil tem melhorado. A globalização obrigou as vinícolas a investirem em qualidade e as boas safras recentes ajudaram'', disse Mauro Zanus, pesquisador da Embrapa. ''Eu acho que o produto nacional deve ser apreciado pelas características próprias, e não ser comparado com o que é produzido em outros países'', comentou Claudia Stefenon, diretora da Associação Brasileira de Enologia.
Mais de 90% do vinho brasileiro é produzido no Rio Grande do Sul. A vinícola Casa de Amaro, de Flores da Cunha (RS), deverá ter aumento na produção de 10% em 2005. ''Já temos mercado no Rio Grande do Sul, no Sudeste e no Centro-Oeste do Brasil. Pretendemos agora chegar até o Paraná, Santa Catarina, Norte e Nordeste'', explicou Gilberto Hartmann, gerente comercial da vinícola.

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