Por onde as águas do Rio das Cinzas passaram as marcas de destruição ficaram. A ponte sobre o rio na BR-153 está interditada, com as estruturas abaladas pela força das águas. Perto dela, na área rural de Guapirama, o estrago é visível em forma de uma lavoura de soja devastada e moradores tentando limpar casas que foram inundadas e recuperar alguns objetos.
Na Fazenda Nova Esperança, dos 148 hectares de soja plantados nesta safra, 62 hectares foram alagados pelo rio. Além dessa fazenda, há outras dez propriedades com plantação de soja próximo ao Cinzas que tiveram grande prejuízo, de acordo com o engenheiro agrônomo da Emater Aloísio de Souza Santos. ''Há 23 anos que trabalho aqui e nunca tinha visto nada assim'', relata. ''Ao todo, calculo que perdemos 30% dos 3 mil hectares de soja que temos plantados próximos ao rio'', completa o agrônomo.
Nas propriedades menores também houve estrago. ''Deu muito trabalho para tirar os animais do meu sítio da área de risco, mas o que passou de boi 'rodando' pelas águas da enchente não foi brincadeira'', comenta o produtor Otair Aparecido da Silva.
No sítio de 3,6 hectares de Norival Scatambuli, a destruição foi grande. As águas do rio chegaram tão rapidamente que ele não teve tempo nem de tirar o carro da garagem. Perdeu o automóvel e tudo o que tinha dentro de casa além de porcos, galinhas, 2 mil pés de eucaliptos e o pomar. ''O único jeito agora é ajeitar tudo de novo'', resigna-se. (W.S.)

mockup