Cinquentões no mercado de trabalho
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 20 de julho de 2006
Jacqueline Farid<br>Agência Estado 
Rio de Janeiro - Os ocupados com mais de 50 anos de idade recebem maiores salários, trabalham especialmente como empregadores, funcionários públicos ou por conta própria e aumentaram acima da média a sua participação no total de trabalhadores nas seis principais regiões metropolitanas do País desde 2002, segundo mostra pesquisa divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O levantamento mostra que, em maio de 2002, havia 2,7 milhões de pessoas ocupadas com 50 anos ou mais nas seis regiões (15,4% da população ocupada total) passando, em maio de 2006, para 3,6 milhões (18,1% da população ocupada). Nesse período, a população ocupada com 50 anos ou mais cresceu 33,9%, enquanto a população ocupada total cresceu 13,6%.
Maria Lúcia Vieira, analista da pesquisa mensal de emprego do IBGE, acredita que o aumento na participação das pessoas dessa faixa etária no total de ocupados é resultado de fatores como o envelhecimento e maior expectativa de vida da população brasileira, além de mudanças nas regras previdenciárias.
Segundo ela, a pirâmide populacional brasileira tem envelhecido nos últimos anos, enquanto aumenta a expectativa de vida e, desse modo, as pessoas permanecem por mais tempo no mercado de trabalho. Além disso, a reforma previdenciária, que elevou a idade mínima para aposentadoria e aumentou o tempo de contribuição, também está influenciando na participação das pessoas com mais de 50 anos no mercado de trabalho.
Maria Lúcia citou também a questão da composição da renda, já que boa parte dos trabalhadores dessa faixa etária são a principal fonte de renda do domicílio e muitas vezes precisam continuar trabalhando após a aposentadoria. Segundo revela a pesquisa, 70,2% dos ocupados de mais de 50 anos são os principais responsáveis em prover o domicílio em que vivem.
Marcelo de Ávila, analista de mercado de trabalho do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) acredita que a permanência da população dessa faixa etária no mercado de trabalho está diretamente vinculada à questão do rendimento no País. Segundo ele, a renda dos trabalhadores não tem crescido o suficiente para permitir que, após a aposentadoria, a opção seja a de ficar de fora do mercado.
Renda - Como provedores, os ''cinqentões'' se mantêm na ativa, especialmente nos grupamentos de trabalho por conta própria (32,7% dos ocupados nessa faixa etária estão neste grupo), militares e funcionários públicos (13,8%) e empregadores (9,6%). Os trabalhadores acima dos 50 anos garantiram, em maio de 2006, um rendimento médio real 36% acima da média dos ocupados nas seis principais regiões metropolitanas do País.
O rendimento médio das pessoas ocupadas com mais de 50 anos em maio de 2006 era de R$ 1.401,30, enquanto a renda média dos ocupados em geral era de R$ 1.027,80. A renda apurada pelo IBGE não inclui aposentadorias ou outro benefícios, resumindo-se aos ganhos na ocupação atual do empregado.
Segundo Maria Lucia, a renda acima da média para essa faixa etária se justifica pelo elevado porcentual de pessoas dessa idade que integram o grupo dos ocupados como empregadores ou como militares e funcionários públicos, que recebem os maiores salários. Do total de ocupados como empregadores nas seis regiões, 33,6% tinham 50 anos ou mais em maio. No caso dos militares e funcionários públicos, os trabalhadores ''cinqentões'' representavam 23,3% do total de trabalhadores.
Marcelo de Ávila observou que muitas pessoas dessa faixa etária têm participado de concursos públicos nos últimos anos. Maria Lúcia também destacou que o grande número de concursos públicos em todos os níveis de governo nos últimos anos, além de incentivos financeiros para que os servidores continuem na ativa, podem explicar o fato de a participação dos trabalhadores com mais de 50 anos no total de funcionários públicos e militares tenha chegado aos 23,3% em 2006, ante 18,6% em 2002.


