Os estudantes que quiserem usufruir da meia-entrada nos cinemas de Londrina deverão apresentar qualquer documento que comprove sua condição no ano corrente. No Cine Arco-Íris, instalado no Shopping Royal Plaza, a medida vale desde o início do ano, mas no Cine Catuaí a exigência é recente. ''Estávamos avisando nossos clientes há mais de seis meses e nos últimos 30 dias até fixamos um cartaz nas bilheterias'', justificou a gerente do Cine Catuaí, Ruth Moraes.
Segundo ela, a lei beneficia apenas aqueles que forem filiados a alguma instituição estudantil. Mas, para facilitar o acesso aos cinemas locais, a meia-entrada foi estendida a todo estudante. O problema é que os universitários estavam acostumados a apresentar o cartão de identificação que autoriza a circulação e uso dos serviços dentro das instituições em que estão matriculados. Porém, a maioria não traz data de validade nem foto do usuário o que favorecia até mesmo quem já não é mais estudante. ''O atestado de matrícula pesa menos que uma carteirinha. Por isso, acredito que só reclama quem não é estudante e, portanto, não tem mais o direito ao benefício'', opinou o gerente do Cine Arco-Íris, Fábio Marcondes.
O desconhecimento dessa nova exigência pegou Vinícius Tsutsui e seus amigos de surpresa. No domingo passado, eles tentaram comprar a meia entrada no Cine Catuaí com o cartão de identificação e quase foram barrados. Segundo ele, este é o único documento que a UEL e a Universidade Norte do Paraná (Unopar) fornecem aos alunos de pós-graduação. ''Nos disseram que tal medida foi tomada porque algumas pessoas falsificaram a carteirinha para entrar no cinema, mas nós, pessoas corretas não podemos perder nossos direitos'', reclamou.
Segundo o coordenador do Procon em Londrina, Gerson da Silva, existe uma lei federal que garante aos estudantes desconto na compra de ingressos em eventos artísticos e culturais. No entanto, o texto não menciona a porcentagem do benefício que fica por conta da negociação entre o promotor do evento e o espectador. ''Essa indefinição pode ser usada como argumento legal para não respeitar a lei. Cabe, portanto, aos Estados e municípios regulamentá-la''. O Paraná fez isso, mas restringiu o desconto de 50% apenas aos filiados à União Paranaense dos Estudantes Secundaristas (UPES), União Nacional dos Estudantes (UNE) e entidades estudantis municipais.
''Não queremos criar problema para ninguém. Mesmo porque não é nosso interesse afastar os clientes'', disse Ruth. Ela disse que pediria às entidades estudantis que esclareçam seus associados. Para Tiago Andrey de Abril, presidente da União Londrinense dos Estudantes Secundaristas (ULES), a exigência dos cinemas é benéfica porque resguarda uma conquista da categoria.

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