Cinco principais estados tem perda de participação no PIB
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sábado, 23 de novembro de 2013
Fábio Galiotto<br> Reportagem Local 
A representatividade dos cinco principais estados brasileiros no Produto Interno Bruto (PIB) nacional caiu 2,8 pontos percentuais (p.p.) durante uma década fechada em 2011, quando passou de 68% para 65,2%. Segundo as Contas Regionais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgadas ontem, há também uma retração de 0,5 p.p. em um ano, o que indica a descentralização do crescimento no Brasil, mas também gera preocupação de que as regiões mais ricas estejam sofrendo com a desindustrialização.
A teoria ganha força porque, dos cinco principais estados, dois que estão entre os mais industrializados do País perderam em relevância. São Paulo foi de 33,1% do PIB do País em 2010 para 32,6% em 2011 e Rio Grande do Sul, de 6,7% para 6,4%. Especialistas dizem que São Paulo funciona sempre como um farol, por ser o primeiro a sentir o impacto tanto quando a economia vai bem como quando vai mal, principalmente por contar com um setor industrial indústria exportador.
No Paraná, por exemplo, há uma estabilidade nos últimos quatro anos, com pequena variação de 5,9% do PIB nacional em 2008 para 5,8% em 2011. O diretor de pesquisa do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), Julio Suzuki, lembra que a agropecuária é um dos principais geradores de riqueza no Estado, com 8,7% de representatividade em 2011, mesmo que a indústria local chegue a 27,3%. "A agropecuária tem um grande poder de multiplicação da renda", diz, ao citar que se reflete no comércio e nas fábricas de alimentos.
Suzuki afirma que a indústria paranaense também sofre como no resto do País, mas menos. Ele conta que a entrada maciça dos importados tem atrapalhado nos últimos anos. "O problema no Brasil não é de demanda, porque o comércio vende bem. A questão é que é caro para se produzir por aqui."
Para o chefe do departamento de economia da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Azenil Staviski, é preciso considerar também que os empresários passaram a buscar estados menos industrializados para instalar novos empreendimentos. "Mas o desaquecimento industrial dos últimos anos pode ser uma explicação. O Paraná exporta muitos commodities e sente menos."
O diretor do Ipardes, porém, faz uma crítica ao IBGE. Ele diz que o PIB do Paraná cresceu 5,7% em 2011 e o brasileiro, 2,7%. "Se divulgassem a taxa de crescimento também e não apenas a participação, o desempenho econômico das unidades da federação ficaria mais claro."
Por estado
Além dos três estados já citados, Rio de Janeiro e Minas Gerais compõem o grupo das cinco maiores economias do País. Os mineiros tiveram estabilidade na participação sobre o PIB entre 2010 e 2011, com 9,3%. Os fluminenses, porém, tiveram crescimento de 10,8% para 11,2%. "O Rio de Janeiro tem bons resultados pela indústria de petróleo e pelas obras de infraestrutura para eventos esportivos", cita Staviski.
Os dez estados com menor participação na economia do País somaram 5,3% nos dois anos. Estão na lista Rio Grande do Norte, Paraíba, Alagoas, Rondônia, Sergipe, Piauí, Tocantins, Amapá, Acre e Roraima.
O crescimento somente aparece entre os 12 estados intermediários, que passaram de 29,1% para 29,5% no período. Santa Catarina, que assumiu a sexta colocação, lidera o grupo, que tem ainda Distrito Federal, Bahia, Goiás, Pernambuco, Espírito Santo, Pará, Ceará, Mato Grosso, Amazonas, Maranhão e Mato Grosso do Sul, Espírito Santo e Pará.


