Quatro bancos brasileiros e um do Uruguai estiveram ontem na sede do Banestado para obter informações preliminares sobre a venda do Banco del Paraná - instituição financeira do Banestado no Paraguai. Todos demonstraram interesse na compra das ações e agora aguardam a publicação do edital do leilão para definir suas estratégias de atuação. O vice-presidente do Banestado, João Evangelista de Souza, vai sugerir ao restante da diretoria que o edital seja publicado até o final da próxima semana. Ainda não há data para a venda, que será feita na Bolsa de Valores do Paraná.
Estiveram presentes na reunião os representantes dos bancos Pactual, Itaú, Unibanco, Banco Araucária e Banco de Crédito do Uruguai. Eles ouviram por cerca de duas horas uma explanação geral sobre os números do Del Paraná. Os dados foram mostrados pelo vice-presidente do Banestado e pelo presidente do Del Paraná, Anízio Rezende. Hoje, o representante de um destes bancos voltará ao Banestado para uma segunda conversa.
Após a audiência, os executivos dos bancos preferiram falar pouco sobre a intenção de compra. O primeiro a deixar a sala foi o diretor do Banco Araucária, Fernando Peixoto. ‘‘Sem a publicação do edital não dá para dizer nada’’, disse Peixoto, sinalizando que o banco pode se unir a outras instituições.
O vice-presidente do Banco de Crédito de Montevidéu, Eliseu Castrano Neto, saiu mais otimista. ‘‘Com preço mínimo de US$ 12 milhões dá para analisar a compra’’, afirmou. Já o Unibanco, que opera no Paraguai há 20 anos com cinco agências do Interbanco, poderia ampliar sua atuação no país vizinho. O diretor do Interbanco, Carlos Castro, disse que as informações da reunião foram ‘‘insuficientes’’.
Um dos itens que mais interessou aos bancos foi o preço mínimo de venda. Pela avaliação da empresa de consultoria Price, a parte que será vendida totaliza US$ 12,73 milhões (R$ 21,35 milhões) - valor referente aos 75,48% das ações pertencentes ao Banestado no Del Paraná e preço mínimo do edital. O restante das ações está nas mãos de 400 acionistas minoritários.
O preço mínimo do Del Paraná ficou abaixo do patrimônio líquido do banco, que é de US$ 17,70 milhões (R$ 21,4 milhões), conforme balanço do ano passado. Se fosse vendida a totalidade das ações, o Del Paraná teria um preço mínimo de US$ 16,87 milhões. ‘‘Temos que considerar que é necessário fazer um desconto no Patrimônio Líquido de 5% do Imposto de Renda, que fica no Paraguai, até 2005’’, disse Evangelista. O lucro líquido no ano passado foi de US$ 8 milhões.
O presidente do Del Paraná ressaltou que em 18 anos de existência do banco, o governo do Estado investiu o mesmo volume de recuros em relação ao preço de venda do banco. ‘‘Desde 97, o Del Paraná rendeu US$ 2,3 milhões em dividendos para os acionistas’’, afirmou.
O leilão do Del Paraná vai ser feito com a apresentação das propostas em envelope fechado. Se houver diferença de preço inferior a 10% entre os dois primeiros vencedores, a venda vai se dar por viva voz. A Câmara de Liquidação e Custódia dará o apoio técnico ao leilão.

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